Sousel - Sousel

Domingo, 12 Junho 2011 10:45 André Coelho
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Sousel, 17581.
Memória Paroquial da freguesia de Sousel, comarca de Vila Viçosa
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 35, nº 236, pp. 1675 a 1692]

 


Excellentisso Senhor
Por ordem de Vossa Excellencia fui notificado para fazer mapa desta freguezia
na forma do impreço que se me entregou ao que respondo pella mesma ordem, e
paragrafos como comtem o mesmo impreço.
1 Fica a Villa de Souzel na Provincia de Alemtejo Arcebispado de Evora
comarca de Villa Viçoza tem termo seu e huã so freguezia que he a da mesma villa:
2 He dos excellentissimos Duques de Bragança, e hoje princeza nossa senhora.
3 Tem esta Vila trezentos, e oytenta e seis vezinhos.
Tem a villa so em si 1389 pessoas fora as ortas e erdades que estas tem de
pesoas duzentas e quarenta e oitto pessoas ou almas e todas juntas tem esta freguezia e
seu termo digo somente a freguezia da villa ortas e erdades mil seiscentas e trinta e sete
almas.
4 Está situada esta villa de Sousel em hum monte não muito alto e da mesma
villa se descobrem e vej claramente a Villa de Vejros que dista desta duas legoas – a
Villa de Fronteira que dista desta duas legoas = a Villa de Cabeço de Vide tres legoas =
a Villa de Alter do Chão sinco legoas


/ p. 1676/
A villa de Alter Pederozo sinco legoas = a Villa de Figueyra duas legoas = a
sidade de Portoalegre dista desta sete legoas, e lhe destinguem os seburbios da mesma
sidade em dia claro.
A Villa do Canno hῦa legoa que dista desta Vila de Souzel.
5 Tem esta villa termo seu não tem lugares nem aldejas so sim se compoem de
23 erdades a que aqui chamão montes que apenas excedem de dois ate tres vezinhos
este [sic] se chamão – Gião = Lestão = Antigo = Monte da Serra o Rodinho = Serrinha=
Palmejra = Freixeal = Peladouro = Cardialinho = Rodos digo Covão = João Pardo =
Alcarias = Montte do Olival = Valle de Odrinho = Montinho do Talego= Talego =
Monte Ruivo = Valle de Odre = Albardeira = Monte Branco = de Pestunna- Sovereira=.
6 A parrochia desta villa está a hum lado da villa da parte do Nascente e
comjunta a mesma villa não tem lugares nem aldejas e freguesia e somente se compoem
de erdades que não excedem de dois ate tres vezinhos como vão declarados os
nomeados no 5º paragrafo supra.
7 O orago he de Nossa Senhora da Graça tem sete altares - o altar mor de Nossa
Senhora da Graça aonde está o Santissimo tão bem em cobre, e São Bentto por ser esta
Jgreja da ordem de São Bento de Avis.


/p. 1677/
Ao lado direito tem o altar da senhora do Rozario tem jrmandade pobre sem
rendas festejão os jrmãos a senhora – da mesma parte o altar das almas tem confraria
tem pouco mas o zello das Irmandades [sic] fas com que tenhão missa quotudianna e
alguas missas se dizem fora desta villa que bem poderião ter dois capelais – da mesma
parte está o altar de São Lazaro de capella particullar de Manuel Pires Antigo que
deixou os seus bens a Confraria do Senhor e esta paga ao capellão e dá o guizamento
nesecario e orna esta capella depois de se darem huns dotes de des mil reis dois dotes
cada anno e sim não tem confraria = tera Jrmandade do Senhor depois de compeletas as
oubrigaçõis que tem oitenta ate noventa mil reis em altas e baixas conforme o colher
dos trigos que são as suas rendas = ao lado esquerdo tem o altar da Senhora dos
Prazeres pobre sem renda alguã foi comfraria hoje extinta = tem outro altar he hῦa
capella particullar que administra Bertholameu Madeira da Villa de Aviz com
oubrigação de se lhe dizerem hum anual de miças na ditta capella = que tem hum
quadro mui destruido que senão percebe a pintura e por incapas senão dizem as miças
na dita capella = tem outro altar de outra capela particullar tãobem com hῦa pentura de
Nossa Senhora da Piedade muito destruido tem capellão mas são as miças reduzidas;
porque o admenistrador que he Antonio Velho não tem mais oubrigação de que dar
dezoito mil reis para hum anal de micas e estas se reduzem por hum breve.

/p. 1678/
Tem esta Igreja tres naves declaro que a capella de São Lazaro terá de renda
cento e secenta mil reis desta renda se paga ao capellão se dão os dotes como ja disse
dois de des mil reis, e a quarta parte pela admenistração vai para a Jrmandade do
Senhor e o mais se dá em esmollas de trigo pello Natal, e Paschoa na forma do
testamento de Manoel Pires Antigo.
8 O parrocho desta Jgreja he freire conventual, ordinariamente, he prior, e he da
Ordem de São Bento de Aviz dá esta Jgreja a Menza da Conciensia e he por repozição
que fazem os freires que disto fas a Menza consulta e El rej como Grão Mestre da
Ordem confirma o que a Menza votta e aprova tem de renda tres mojos de trigo dois
mojos e mejo de sevada - vinte mil reis en dinheiro e o mais de contigente tem hῦa
admenistração da capela do Espirito Santo que de a quinta parte.
9 Tem tres benefeciados os quais são da Ordem de São Bentto tem cada
beneficio dois mojos de trigo = e mojo e meio de sevada – e des mil reis em dinheiro e o
mais he contigente aprezenta estes beneficios a Menza da Conciencia mas he por
opuzicõis que a elles fazem.
10 Tem esta Villa de Souzel hum só convento de relligiosos de São Paulo não
tem padroeiro está situado a parte do sul conserva ordinariamente catorze ate dezaseis
religiozos.


/p. 1679/
Tem rendas que bastem para sustento dos mesmos relligiozos a sua Jgreja he de
Santo Antonio filial da Matris destta Villa de Souzel que tem sete altares - o altar mor
de Santo Antonio e de Santo Paullo = da parte direita tem hum altar com hum senhor
crucificado – outro altar tem hum senhor com a crux ás costas = outro de Santa Anna =
a parte esquerda outro altar da senhora da Conceição outro altar da senhora de Soledade
= outro altar da Senhora do Carmo = tem tres Jrmandades de Santo Antonio - da
Conceição – das Chagas = e sem rendas = concedeose esta Jgreja aos ditos religiozos
que era ermida para mudarem o convento de Fonte Arcada sito no termo de Aviz por ser
doentio e de máo clima em que houverão licença da Menza da Conciencia e de El rei
como Grão Mestre da ordem de São Bentto de Aviz ficando sempre em pé o direito
parrochial ao prior, e benefeciados e seus sucesores em diante na forma da escritura
feita em presença do prior mor Dom Fr. Lopo de Sequeira nas rotas do tabalião Manoel
Mendes na Villa de Aviz em que asignou o seu provincial e defenidores e hoje estão o
prior e benefeciados em a sua posse de hirem á dita Jgreja de Santo Antonio por ser
fellial em se mandar os defuntos e fazer todos os mais actos de juridisção na dita Jgreja
ofeciando em qualquer ocazião que se ofereça: para esta Jrmida se fazer digo para se
fazer este conventto comcorreo o povo desta Villa com suas esmollas.


/p. 1680/
El rei mandou pello Desembargo do Passo ao provincial que nomease
patrimonio e nomeou o mesmo patrinonio do convento de Fonte Arcada sito no termo
de Aviz e detreminou Sua Magestade não houvesse mais relligiozos no dito convento de
Fonte Arcada que hoje se chama a Erdade da Provença e procurando a renda que teria o
convento ao mesmo reitor me não disse mas o serto he que com as muitas capellas de
missas que tem cojuntamente com as rendas do seu patrimonio pasão muito bem os
relligiozos porque tem rendas de trigo e muntos oliviais;
11 Não tem hospital;
12 Tem huã caza de Mezericordia com o nome de Hospital junta a mesma jgreja
chamada a Mizericordia a qual tem tres altares – o altar mor com sua tribuna que cobre
hum retabullo ou quadro de pintura da Senhora do Amparo e nas roupas hum sacrario
mas não tem sacramento ainda que se expoem na semana santa o sacramento - tem
outro altar da Senhora da Piedade = tem outro altar do Senhor com a crux ás costas, e
não tem renda particullar os altares esta Caza de Mizericordia somente cura os
emfermos que a ella chegão com imposibilidade de os poderem conduzir para o
Hospiital da Villa de Estremos e he unida a dita caza ou albergaria com a Mizericordia a
qual foi fundada pellos excellentisimos /p. 1681/
Duques de Bragança dezaseis annos depois da de Lisboa mandando a esta Villa
o seu ouvidor barguncil das terras de Entre Tejo e Guadianna dizendo fundase a Jgreja
da Mizericoridia junto a albergaria da mesma Villa que hoje he a dita caza chamada o
Hospital as rendas que a tal albergaria tinha concedeo e deo á dita Mizericordia o
Senhor Rey D. Sebastião na Villa de Montemor-o-Novo como consta de hum alvará que
se acha com oubrigaço [sic] de huã miça cantada dia do Corpo de Deus e miça todos os
domingos do anno pella Jrmandade consta do mesmo alvara; poderá ter de renda vinte,
e dois mojos de trigo não se sabe mais da origem da dita albergaria nem ha mais
memoria do que a ditta.
13 Tem esta freguezia a Jrmida de Santo Antonio que se concedeo aos
relligiozos de São Paulo = a Ermida São Sebastião sem renda = a de São Lourenço sem
renda algua = a Ermida de São Pedro sem mais renda do que vinte ou trinta mil reis a
juro = a Ermida de São Miguel sita na serra sem renda mais do que hum olival que
escaçamente dá azeite para a alanpada do santo e nella asistem ordinariamente dois ate
tres eremitas que estes tem acrescentado sua serca junto ao mesmo santo e o concelho
desta Villa lhe concedeo, huas terras de que pagão o foro de secenta reis ao concelho
tem alguns pes de olivejra.


/p. 1682/
A esta ermida vaj bastante gente de romaria em dias bons por devertimento na
mesma jgreja está a Senhora do Carmo tudo no altar mor primeiro e ultimo he de
abobeda com seu corozinho pequeno dentro da serca estão juntos a mesmos [sic] jrmida
que está ao sul os cobicollos dos eremitas = A ermida de São Bertholameu está ao
poente de munta romagem no seu dia emfinda gente he forejra ao ditto santo com hum
folgo vivo que ordinariamente são frangos galinhas pombos sem mais renda algῦa do
que estas oblatas = todas estas ermidas são destantes da villa mas não escedem de meja
legoa somente Santo Antonio esta na ponta da villa e São Sebastião a nascente tão bem
fora da villa. Tem outra ermida do Espirito Santo a parte do norte que terá de renda digo
tem doze mil reis na erdade chamada do Espirito Santo sito no termo de Estremos de
que tem a pose o devino Espirito Santo mais vinte e tres alqueires de foro na erdade das
olivejras termo de Frontejra mais hum quarto de ouro de foro de hum quintal mais
duzentos e ojtenta reis de foro de tres moradas de cazas – tem mais hum altar da
jrmandade terceira de São Francisco sem rendas está esta ermida dentro da villa –
pertence esta ermida a ordem de São Bento de Aviz pello que admenistrão os seus bens
os priores de que tem a quinta parte pella admenistração.


/p. 1683/
Todas as sobreditas hermidas são filliais a matris e a elles vão os priores ofeciar
são providas pellos priores em eremitãis que tem provizão da Menza da Conciencia por
pertencerem a ordem de São Bentto.
Na ponta da villa a parte do poente está Nossa Senhora da Orada ha tradição fora
fundação do conde D. Nunno Alveres Perejra tem tres altares o altar mor com secrario
que não tem sacramento nelle està a Senhora da Orada e São Jozé – terà de renda a
Senhora sincoenta mil reis de muita devoção para este povo por ser o seu amparo = tem
mais outro altar da Senhora da Anunciada sem renda algῦa = tem outro altar com hum
senhor crucificado que vejo de Roma que o mandou o Padre Jgnacio da Silvejra natural
desta villa e padre da Companhia e asistente do Geral he este Senhor de muita devoção
e tem os devotos munta fe pello que este Senhor e a Senhora da Orada são
continuamente vezitados, era da ordem e hoje está de pose o ordinario e admenistra seus
bens hum jrmão ainda que o governo he do ordinario sempre andopella posse vão
ofeciar o prior e benefeciados que ele tem ocazião de o fazerem – e tomão conta os
provedores


/p. 1684/
os provedores, e juntamente os vezitadores do Arcebispo dos bens desta
confraria da Senhora da Orada.
14 A todas estas ermidas que são ojto não se frequentão as vezitas senão nos dias
dos mesmos santos excepto São Miguel e Senhora da Orada porque continuamente são
vezitadas estas ermidas dos devottos.
15 Os frutos da terra que se colhem são trigos sevadas e sentejos e azeite e o
trato da terra ser1 o major de lavouras.
16 Tem juis de fora e he ducado de Bragança e em falta do juis ha juis ordinario
que he o vereador mais velho tem correjção e he o ouvidor de Villa Vicoza e o provedor
de Evora que vem tomar contas das capellas e as do concelho.
17 Não he cabeca de concelho nem de comarca.
18 Não ha memoria de que florecesem ou desta villa saisem homens insignes
mais do que o Padre Jgnacio da Silvejra homem douto na relligião da Companhia de
Jezus aonde foj rejtor em Cojmbra e Evora doutor de bolrra branca provincial da mesma
e foj ellejto asistente do Geral em Roma aonde falleceo2 em arrmas não ha noticia
algῦa em vertude so ha noticia que desta villa fora para a
/p. 1685/
para a relligião da Companhia o Padre Manoel Rodrigues natural desta vila filho
de Manoel Rodrigues, e de Maria Alvares tinha de idade 183 annos era estudante do
premeiro cursso quando emtrou na relligião no anno de 16674 se embarcou para a Jndia
aos 27 de Abril na nau chamada São Bento hia destinado para a provincia de Goa e
nella trabalhou incasavelmente na misão do rejno de Marssur foi rogado para ler
theologio [sic] e mais quis os trabalhos da mição do que os lustres da cadeira tendo por
melhor o de crux na mição de Massur que tinha cultivado por espaço quaze de vinte
annos obrou accois de muita humildade e piedade e pasou ao Jmperio da China aonde
morreo de 755 annos de jdade e neste Jmperio fundou hum hospital para recolher os
pobres e sustentallos fes se hospitaleiro do mesmo hospital ahi converteo hum gentio
muj rico e outras mais principais que se quejxarão ao emperador e fizerão fose
desterrado da corte aonde vivia ofercendo as virtudes e sofrendo afrontas e os mesmos
christãos lhe davão muitas esmollas para os seus pobres e o gentio se converteo porque
ver que elle nada tomava para si senão para os seus pobres6 esta memoria consta de
hum livro que se acha na Companhia de Evora donde se me mandou a suma do referido.
/p. 1686/
19 Tem esta Villa hua só feira dia de São Miguel dura tres dias franca que he em
29 de Setembro.
20 Tem somente estafeta que vai buscar as carttas a Villa de Estremoz que dista
desta villa duas legoas chega o estafeta a quinta feira e parte para Estremoz ao Sabado
com as carttas.
21 Dista esta villa da sidade de Evora capital da provincia do Alemtejo sete
legoas, e a sidade de Lisboa capital do reyno dezoito legoas da terra digo vinte de terra.
22 Não tenho mais noticia do que haver alguas cartas dos duques de Bargança
[sic] nos cartorios sobre os governos da terra nem ha memorias de privilegios alguns ou
cousas dignas de memoria.
23 Não ha nesta terra fonte ou lagoa celebre.
24 Não ha porto de mar?7
25 Não he murarada [sic] esta villa porem tem seu castello com suas 3 torres
mas estão estas muito destruidas e aruinadas como tão bem huas cazas nobres dentro do
mesmo castello que se achão em terra?8


/p. 1687/
26 Não se padeceo ruina concideravel no terremotto de 17559 mas ja somente
duas aberturas nas jgrejas que forão reparaveis.
27 Não ha couza digna de memoria de que se possa fazer menção.

Da serra de Souzel
1 Que asim se chama e a mesma ordenação do rejno asim a nomea.
2 Terá de comprimento neste termo hua legoa e dizem duas que este cordão de
montes he da Serra Morena outros que he hum braço que fas a Serra de Ossa e que vem
acabar perto da Vila do Canno do Cano [sic] que distará do ultimo monte á dita villa
meja legoa compoemse esta serra de hum cordão de montes huns altos outros mais
baixos e tem cada monte hum nome a saber - a Serra, ou Monte do Cajcheiro = o Monte
da Serra = o Monte dos Cantinhos = a Cova de Maria Caldeira = a Serra ou Monte de
São Miguel = o Monte de Valle Largo = o Monte do Seixo = e de lado o Monte de João
Pardo = o Posso dos Viejros = o Monte ou Serra das Caejras = de lado a Serra dos
Bacellos =


/p. 1688/
A Serra ou Monte do Sambugeiro = a Serra Fragoza = ou das Perdizes = a Serra
Faquinha = a Serra de São Bertholomeu donde esta situada a sua ermida tera de largura
em partes meja legoa e em outras menos e entre estes montes tem seus valles que se
cultivão.
3 Não deita braços entre nos neste termo e freguesia porque acaba.
4 Nasce ás vinhas desta villa que são na emcosta da serra o rio chamado
Alcorrego que dirigindo seu cursso para o norte por espasso de mejo quarto de legoa o
toma para o poente e se emcaminha pello termo de Aviz aonde emgroçando de varios
regatos se vaj meter na Ribejra de Fronteira ou de Aviz que he a mesma emtre a dita
Aviz e Cabeção que dista daqui quatro legoas ?10
5 A longo da serra que comtem esta freguesia e termo não tem povoacois
alguãs?
6 Nihil?11
7 Na serra não ha minas de metais mas sim de pedras marmores muinto finas,
pretas e azuis que disto he a serra muito abundante toda a serra.
8 He esta serra cheja de muito alecrim e dizem que de muitas ervas medicinais, e
por senão conhecer sua vertude senão uza dellas e tal a variedade de flores que a serem
cultas se estimaria por raras


/p. 1689/ por raras cultivase os baixos e alguas altas de se semearem trigos sendo
as emcostas para a parte do norte todas chejas de olivais que fazem a terra muito fertil
de azeite que terão de comprimento hua legoa.
9 Não ha na serra mais do que a Ermida de São Miguel frequentada quazi e
sempre e São Berthollameu no seu dia.
10 A quallidade do temperamento he excellentte muito puros os seus ares e
deliciozo pella vistta porque se descobre da qualquer dos montes da ditta serra para a
parte do norte ate a Serra da Estrella para a do sul quatro ate sinco leguas para o poente
ate os Montesjuntos descobrirá dezaseis ou dezasete legoas e para o nascente o que e
vista pode alcançar e dos ditos montes se vaj as terras que ja vão declaradas e a Villa de
Aviz, Galveas e Estremoz Vimiejro Evoramonte Arrajolos e hῦa ermida junto a
Montemor-o- Novo.
11 Na ditta serra não se crião gados porem em todo o tempo he grande refugio
para os gados dos lavradores dos dilatados campos de Amejxial com quem comfinão
pella parte do sul he muito abundandante [sic] de perdizes coelhos lobos, e rapozas.
12 Nihil.
13 Nihil.
O que se procura saber do rio desta terra
1. Chamase a Rebeira ou Rio de Souzel, nasce estta em o termo de Estremoz no
sito da Pera Seca e corre para o norte e devide o termo destta Villa do de Estremoz e de
Vejros e Frontejra quando ja comesa voltar o cursso para o poente aonde entrando no
termo de Aviz vaj desaguar na Rebejra de Fronteira na freguesia da Senhora dos Barros
emtre a Erdade do Charrão e Lamejra aonde tem duas cachoejras ou fragoas mui altas
que impede subir o peixe.
2 Nasce muito fraco não corre senão de Jnverno e pouco mais.
3 Emtrão nesta Rebeira ou Rio de Souzel dois rebejros hum chamado de Val de
Odra e outro das Mulheres no sitio do Tallego que he hῦa erdade asim chamada.
4 Nihil
5 Em todo o tempo mui pacifico menos em tempo de chejas grandes.
6 O nascimento corre para o norte por destancia de quazi hua legoa e dahi para o
poente.
7 Cria excelentes bordallos de bom gosto piois muj saberozos e pardelhas muj
delicadas e gostosas.
8 Em todo o tempo se pescão os ditos pejxes de Verão e de Jnverno aonde
conserva agoa porque não corre todo anno.
9 São as pescarias livres para todos excepto os mezes defezos.
10 Cultivãose as suas marges de trigos e melloais e fejxoais e em alguas partes
seus matos de boleta.
11 Nihil.
12 Conserva sempre o mesmo nome.
13 Morre na Rebejra de Aviz que he a mesma de Frontejra emtre as Erdades do
Charrão e Lamejra na freguezia dos Barros defronte da Coutada da Villa de Figueira.
14 Tem hῦa cachoeyra por modo de preza ou levada que impede subir o poste o
qual não pode subir senão em cheyas muy extraordinarias que se fose rio navegavel
impediria a navegação.
15 Tem somente hua ponte de pedra de cantaria na pasagem de Souzel para á
Villa de Fronteira?
16 Tem oytto moynhos este rio ou rebeyra de Souzel os quais não moem senão
de Jnverno, e sendo a Jnverna [sic] mayor moerão ate o fim de Abril: não tem lagares
de azejte porque estes os há dentro da villa que são seis lagares somente – pizois não ha
na dita rebejra nem qualidade alguã de emgenho.
17 Nihil.
18 Nihil.
19 Terá este rio desde o seu nascimento ate a rebejra ou rio de Aviz ou Frontejra
que he o mesmo tres legoas não passa por povoaçois algῦas lugares ou aldejas.
20 Não ha couza mais notavel, e nem digna de memoria, ou de que se possa
fazer menção.


O Prior Fr. Jozé Alexandre Guerreiro Camacho de Aboym [Assinatura autógrafa]

 


(1) Emendado na mesma época e com o mesmo traço para “he”.

(2) Segue-se um espaço em branco.

(3) Sublinhado da época.

(4) Sublinhado da época.

(5) Sublinhado da época.

(6) Espaço em branco a seguir a pobres.

(7) O ponto de interrogação talvez não seja da época.

(8) O ponto de interrogação parece posterior e de outra mão.

(9) Sublinhado da época.

(10) O ponto de interrogação parece posterior e de outra mão.

(11) O ponto de interrogação parece posterior e de outra mão.

 



Transcrição: Maria Patrício dos Santos
Revisão: Fernanda Olival

Etiquetas: Memória Completa Maria Patrício dos Santos Fernanda Olival
Actualizado em Domingo, 03 Julho 2011 17:45