Estrela, 1758
Memória Paroquial da freguesia de Estrela (freguesia suprimida), comarca de Beja
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 14, nº 98, pp. 677 a 680]
Em observância do preceito de V. Excelência Reverendíssima pela carta circular
que me foy notificada em 18 de Março de 1758 pelo Reverendo Manoel da Silva Borges
, escrivam da vigairaria da villa de Moura respondo aos interrogatórios nella insertos
pella forma seguinte:
Ao 1 que esta freguezia he Nossa Senhora da Estrella, termo da villa de Moura,
Arcebispado de Évora comarca da cidade de Beja.
Ao 2 que esta freguezia com todo o termo de Moura sam terras do Infantado e
pertencem ao sereníssimo Infante D. Pedro.
Ao 3 que esta freguezia tem trinta e sinco fogos, herdades com gente que nellas
habittam dezouto e seis que se não mora nellas, por estarem arruinadas. E tem pessoas
adultas duzentas e des e por velhas ou menores vinte e outo.
Ao 4 que está situada em outeyro e que della se descobrem a vila de Mourão,
que dista desta freguezia duas légoas e meya, a villa de Monsarás, que dista desta
freguezia três légoas e meya, o ronquam de Sua Magestade que Deos guarde, sitto na
freguezia de Sam Marcos do Campo termo da villa de Monsarás, que dista desta
freguezia huma légoa, a freguezia da Póvoa, termo da villa de Moura, que dista desta
freguezia huma légoa, o termo da villa de Portel. E perto desta igreja está hum alto que
descobre a ditta villa de Portel, que dista desta freguezia sinco légoas.
Ao 5 nada.
Ao 6 que a Paróchia está dentro da freguezia e tem junto a ella alguns vezinhos,
porque a principal parte consta de montes.
Ao 7 que o seu orago he Nossa Senhora da Estrella e tem (p. 677) quatro altares,
que sam o altar mor, onde estam Nossa Senhora da Estrella, a imagem de S. Pedro da
parte direita, a de Sam Joam Baptista da parte esquerda. Os collateraes, o da parte
direita Nossa Senhora do Rozário e o da esquerda Nossa Senhora do Carmo e outro de
Santo António. Não tem a igreja naves nem irmandade alguma confirmada senam a de
Sanctos (...) por devoção.
Ao 8 que o párocho he cura e da aprezentaçam do muito Excelentìssimo e
Reverendíssimo Senhor Arcebispo de Évora (...) o meu prelado e tem de renda três
moyos e (...) alqueires de trigo, para sua côngrua e sustento e para sua besta quarenta
alqueires de sevada.
Ao 9 nada.
Ao 10 nada.
Ao 11 nada.
Ao 12 nada.
Ao 13 nada.
Ao 14 nada.
Ao 15 que os frutos que nesta freguezia se recolhem sam trigo, sevada, senteyo e
mais meuças (?) mas (...) mais em abundância se colhe sam trigo, senteyo e sevada.
Ao 16 que esta freguezia nam tem juiz por estar subor(dina)da e sugeita ao juiz e
justiça do lugar da Póvoa termo de Moura.
Ao 17 nada.
Ao 18 nada.
Ao 19 nada (p. 678).
Ao 20 que nam tem esta freguezia correyo e se serve do correyo da villa de
Moura, que parte na quinta-feira e chega no sábado e dista esta freguezia da villa de
Moura duas légoas e meya.
Ao 21 que dista esta freguezia da cidade de Évora cabeça do Arcebispado, nove
légoas e de Lisboa, cabeça do Reyno vinte e seis e meya, a saber, vinte e três e meya por
terra em thé à Mouta e três por ágoa em thé à corte.
Ao 22 nada.
Ao 23 nada.
Ao 24 nada.
Ao 25 nada.
Ao 26 que esta igreja e algumas cazas desta freguezia padeceram algumas ruínas
de pouca concideração, mas ao prezente se acham redeeficadas.
Ao 27 nada.
Em os segundos e terceiros interrogatórios respondo em summa.
Que esta freguezia tem muitas fontes nativas de boas ágoas, mas nam se lhes
sabe de especial virtude.
E que o ryo de Guadianna que passa junto desta freguezia menos de hum
qoarto de légoa, se tem observado que as suas ágoas sam digiritivas e boas para
conservar a saúde e fazem appetência de comer e que nos mezes de Junho, Julho e
Agosto tomam algumas pessoas banhos mandados applicar pelos médicos, com que
experimentam saúde (p. 679) nos seos males. Neste ryo se criam muitos peixes como
sam barbos, heirozes, bogas, bordallos, (...)1 e outros mais. Aqui entra neste ryo (...) a
rybeira de Alcarrache, que nasce em (...), villa de Castella, bispado de Badajoz (...) nove
légoas pouco mais ou menos, donde nasce thé que fenece neste ditto ryo, nesta
freguezia. Como também o Zebro, que nasce junto do (...) Carapetal, sito no lugar de
Amareleja, termo de Moura, perto de Estepa (?) que fenece neste ryo Guadianna, meya
légoa desta freguezia. E terá de comprimento duas légoas e meya mas só de Inverno
corre e nam he ágoa nativa, porém tem muitos pegos que conservam ágoa todo o anno.
Também esta freguezia tem muitos montados (que) emgordam mais de
novecentos enthé mil (...) porcos de vara, pouco mais ou menos (fora as corridas (...)). E
nas suas terras se criam muitos gados, como são gado vaccum, porcos, ovelhas e há
também por aqui porcos javardos, lobos, gamos, zorras, (per)dizes, coelhos, lebres em
abundância.
He o que posso informar a Vossa Excelência Reverendíssima, que Deos guarde
muitos annos. Estrella, 13 de (...) de 1758.
De Vossa Excelência Reverendíssima
O mais humilde e reverente subordinado
O P. Thomé Gomes Es(barra).
Transcrição: Marta Cristina Relvas Janeiro Páscoa
in PÁSCOA, Marta Cristina Relvas Janeiro, Memórias Paroquiais da vila de Moura e
seu termo. Moura, Câmara Municipal de Moura, 2002, pp. 28-30.
