Póvoa de São Miguel, 1758, Abril, 8
Memória Paroquial da freguesia de Póvoa de São Miguel, comarca de Beja
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 30, nº 238, pp. 1821 a 1824]
Memória Paroquial
Volume Freguezia de São Miguel da Póvoa termo da villa de Moura
1 Interrogatório. He (?) lugar este da Póvoa do termo da villa de Moura, pertence ao
Arcebispado da cidade de Évora, he comarca da cidade de Beja.
2 Donatário he o senhor D. Pedro, Infante de Portugal.
3 Tem vezinhos, ou fogos cento e dezacete e tem pessoas de hum e outro cexo
quatrocentas e vinte e ceis.
4 Está esta aldeia ou povo em hua encosta e só descobre para a parte do norte as villas
de Mourão e Monsarás.
5 Não tem termo e se o tem he por cer lemite do povo ou aldeia.
6 Tem a parróchia no meio do povo.
7 Seu orago he o senhor S. Miguel da Póvoa. Tem duas (sic) altares, o mayor do orago,
donde está colocado o Calvário e outro de Nossa Senhora da Glória (?) e tem sua
irmandade. O terceiro do Senhor Jesus dedicado às Santas Almas e donde se lhe dizem
nas segundas-feiras as suas missas.
8 Esta parróchia he curada e da prezentação do senhor Arcebispo de Évora. Tem de (p.
1821) renda de próprio quatro moyos de trigo e hum de cevada.
9 Não tem beneficiados por cer ocupação amovíbel curada.
10 Não tem conventos.
11 Não tem Hospital.
12 Nem Caza de Mizericórdia, mais que a que uzão os fiéis huns com outros.
13 Não tem ermidas.
14 Não tem rumages e só vam a algumas festas os vezinhos desta freguezia.
15 Os frutos que nesta terra se colhem são trigo, cevada e centeio, que os mais dos anos
não dam o que baste para os moradores, por cerem pobres terras.
16 Tem juis de ventena sobordinado ao corpo político de Moura, que he sua cabeça.
17 Não he couto e nada tem sobre o que dis este interrogatório.
18 Deste interrogatório nada.
19 Nada deste interrogatório.
20 Deste nada.
21 Dista esta freguezia da cidade de Évora sua cabeça des légoas e da cidade de Lisboa
vinte légoas (p. 1822).
22 Deste interrogatório nada digno de memória, mais que gravarem os pobres nos seos
curraes e quintaes com foros, sendo izentos (couza lamentável).
23 Não há que dizer neste interrogatório.
24 Neste nada.
25 Nada deste interrogatório.
26 Ouve bastantes perdas do terremoto e não forão mais (suposta a mão de Deos) por
cerem tudo cazas térrias excepto a igreja que padeceo mais ruína.
Sobre Serra não há que dizer, pois a não temos nos nossos lemites, motivo
porque não faço menção e clareza dos seos interrogatórios.
Sobre rio e seos interrogatórios, não há de que se faça memória, pois não há
nesta freguezia de que se faça menção e os rios ou rebeiras que nestas partes ou
freguezia há só quando Nubes aqua pluent. (p. 1823).
Satisfazendo ao mandado ou pedido de quem ordena por interrogatórios se lhe
dise notícias das couzas incluídas nos mesmos interrogatórios. Certefico o P. Manuel
Fernandes Gracia, cura da freguezia de S. Miguel da Póvoa, termo da villa de Moura,
que tudo quanto nesta parte vai escrito he na verdade moral e segundo a minha
inteligência e na verdade de que faço esta atestação. Póvoa, de Abril outo. Era de mil
setecentos cincoenta e outo anos.
O cura Manoel Fernandes Gracia. (p. 1824)
Transcrição: Marta Cristina Relvas Janeiro Páscoa
in PÁSCOA, Marta Cristina Relvas Janeiro, Memórias Paroquiais da vila de Moura e
seu termo, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2002, pp. 69-71.
