Orada, 1758, Maio, 25
Memória Paroquial da freguesia de Orada (freguesia suprimida), comarca de Beja
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 26, nº 34, pp. 289 a 294]
Por ordem de Vossa Excelência muito Reverendíssima se me foi emtregue hum
sumario de interrogatórios para responder a eles, e obedecendo ao atendível preceito de
Vossa Excelência muito Reverendíssima, respondo na forma seguinte:
No primeiro interrogatório, que esta freguezia de Nossa Senhora da Orada termo
da vila de Moura esta dentro desta província de Alentejo no Arcebispado da cidade de
Évora, comarca da cidade de Beja e no termo da mesma vila de Moura.
Ao segundo interrogatório respondo que esta vila e seu termo he terras do
Infantado.
Ao terceiro digo que tem esta freguezia treze herdades com gente que fazem
todos treze fogos e consta de outenta e sete pessoas.
Ao quarto digo que esta freguezia esta posta em huã campina cheia de muitos
mattos a que chamão Xarneca e dela se não descobrem povoações.
Ao quinto e sexto interrogatório não tenho que dizer.
A sétimo respondo que o seu orago he o de Nossa Senhora da Orada e tem só
hum altar e a igreja só de huã nave e não tem irmandades.
Ao outavo digo que o Párocho he cura exposto pelo muito Excelentíssimo e
Reverendíssimo Senhor D. Fr. Miguel de Távora, Arcebispo de Évora e consta a sua
renda de três moios de pão.
Em quanto aos interrogatórios nono, décimo, undécimo, duodécimo, décimo
terceiro e décimo quarto não tenho que responder (p. 289).
Ao décimo quinto digo que os frutos que se cultivão nesta freguezia em maior
abundância são trigo, sevada e senteio.
Aos interrogatórios décimo sexto, décimo sétimo, décimoutavo, décimo nono
e vigésimo não tenho que responder.
Ao interrogatório vigésimo primeiro digo que dista esta freguezia e da cidade
capital do Arcebispado onze légoas e da cidade de Lisboa capital do Reyno vinte e
cinco légoas.
Nos interrogatórios vigésimo segundo, vigésimo terceiro, vigésimo quarto e
vigésimo quinto não tenho que responder.
No interrogatório vigésimo sexto digo que esta igreja de Nossa Senhora da
Orada no terremoto do ano de mil e setecentos e sincoenta e sinco só padeceu a sua
abóbeda fendazinha ténue que não nececita de reparo.
Ao vigésimo sétimo e último desta primeira parte de interrogatórios digo que
não há couza digna de memória e de que haja de fazer menção ao prezente.
Segunda Parte dos Interrogatórios
Nesta segunda parte que se procura da serra digo que no primeiro e no
segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, outavo, nono, décimo, não tenho que
responder a eles.
No undécimo interrogatório digo que o gado bravo que nesta charneca se cria
são porcos, viados e servas, lobos, rapozas, gatos cravos e da caça coelhos, lebres,
perdizes. (p. 290).
E no duodécimo e décimo terceiro e ultimo desta parte não tenho que
responder.
Ultima Parte dos Interrogatórios que nela se procura dos Rios
No primeiro interrogatório digo que por esta freguezia passa hum rio que se
chama Guadiana. Este nasce de duas fontes no terretório que chamão o Campo de
Montiel na província de Castela a Nova, distante duas légoas de Los Infantes, isto he, de
Vila Nova de Los Infantes e correndo este por espaço de deis légoas, tendo ainda pouco
cabedal de ágoas se esconde por espaço de huã légoa somente por baixo de huãs
montanhas, depois renanscendo perto de Vila Orta toma o nome de Guadiana porque no
seu principio lhe chamão Voiseira e corre para o Occidente, banha as terras de
Calatrava, passa pelos montes de Toledo e engrossando-se com muitos pequenos rios
atravessa a Extremadura castelhana passando por Medelim, Merida, Badajós, recebe em
si o rio Caya e entra em Portugal por emtre Elvas e Olivença e mudando a sua corrente
para o meio dia corre por entre Mourão e Monsarás, por entre Serpa e Beja, banha as
muralhas de Mértola, Alcoutim e Castro Marim e dezemboca no Occeano depois de
haver regado sento e quarenta légoas de paiz.
No segundo e terceiro interrogatório vai a resposta (p. 291 )incluza no primeiro
interrogatório próximo.
Ao quarto interrogatório não tenho que dizer.
Ao quinto respondo que suas ágoas no inverno correm com bastante fúria, pela
muita grossura de ágoas que toma.
No sexto interrogatório digo vai incluzo no primeiro.
No sétimo interrogatório digo que os peixes que (há) são barbos, bogas e
inguias, por outro nome que lhe (dão) os moradores vizinhos - Irozes.
No outavo e nono interrogatório digo que neste rio há muitas pescarias e todas
livres.
No décimo interrogatório digo que se cultivão as suas (margens) semeando nelas
muitos melões e melancias.
No undécimo e duodécimo não tenho que responder.
No décimo terceiro interrogatório digo que vai incluzo no primeiro.
No décimo quarto respondo que este rio tem cachoeira que o empedi o ser
navegável.
Ao décimo quinto interrogatório dizem que tem as pontes de Badajós e
Olivença.
Ao décimo sexto digo que tem moinhos de moer trigo e pizões de pizoar
saragoças e não sei que tenha outro algum engenho.
No décimo sétimo não tenho que dizer. (p. 292)
No décimo outavo respondo que os povos uzão livremente das suas ágoas para
todo o necesário.
Ao décimo nono respondo que vai incluído no primeiro interrogatório.
No vigésimo interrogatório não sei que tenha alguã outra couza digna de
memória de que desse relação a Vossa Excelência muito Reverendíssima que Deos
guarde muitos anos. Orada, vinte e cinco de Mayo de 1758.
De Vossa Excelência muito humilde servo
O Cura o P. Manuel Luiz.
Transcrição: Marta Cristina Relvas Janeiro Páscoa
in PÁSCOA, Marta Cristina Relvas Janeiro, Memórias Paroquiais da vila de Moura e
seu termo, Moura, Câmara Municipal de Moura, 2002, pp. 62-65.
