Memórias Paroquiais

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Évora - São Miguel de Machede

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1758 Julho 7 - S. Miguel de Machede
Memória Paroquial de S. Miguel de Machede, Évora 
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 22, nº 16, pp. 86 a 94]

1. Fica esta Freguezia(1) em a Província do Alentejo; a mayor parte em o termo e comarca
de Évora cidade, e a menor em o termo da villa de Evora Monte, comarca de Villa
Viçosa; tudo Arcebispado de Évora.


2. A mayor parte desta Freguezia hé de El Rey Nosso Senhor por estar no termo de
Évora cidade, e esta ser terra da coroa, e a menor da Serenissima Caza de Bragança por
estar na comarca de Villa Viçoza.


3. Tem esta Freguezia trezentos fogos; mil quinhentas e vinte pessoas; mil e vinte huma
de confição e comunhão; cento settenta e cinco só de confição, trezentas e vinte seis
menores.


4. Achasse esta Freguezia situada quanto a mayor parte, que esta no termo de Évora
cidade em agradável e fructífera campina; e quanto a menor que se acha no termo de
Evora Monte em oyteyros, e terras fragozas com estevais. Nela descobresse de alguns
sitios desta Freguesia a cidade de Évora, da qual dista de algumas partes três legoas e de
outras duas. Evora Monte, que fica em distância de duas legoas; a villa do Redondo na
mesma distância de duas legoas; e a villa de Montoyto na distância de três legoas.


5. Nada.


6. A Parochia esta situada ao lado direyto da praça de huma aldea, a quem a sobre ditta
Freguezia deo o nome de Aldea de Sam Miguel de Machede; em terra de huma herdade
intitulada do Vallinho, de que são senhorios Henrique de Mello da Zambuja, morador
na Villa de Cabeço de Vide, Martinho Lopes Saldanha, e António Lobo de Mello, que
de prezente vivem em a cidade de Elvas, por cuja causa os moradores da ditta Aldea são
foreiros aos sobredittos senhorios em foros de galinhas; tem esta Aldea cento e trinta e
quatro fogos ; há mais nesta Freguezia em a parte que está no termo de Évora cidade
outro lugar pequeno chamado: a quinta do Casco; o qual se acha situado em huma
herdade intitulada do Passo(2); que hé do successor que ficou de Diogo Pestana que
falleceo na villa de Estremos; os seus moradores pagão renda ao lavrador, que tras a
rendada a ditta herdade; tem este lugar quatorze fogos; na parte que pertence ao termo
de Évora Monte tem esta Freguezia outro lugar chamado = o Moinho Queimado(3) = o
qual se acha situado em huma herdade chamada da Teyxeyra, de que ao prezente esta de
posse Christovão de Brito Bandeyra morador na cidade de Évora, a quem pagão foros
de pam os seus moradores; tem trinta e quatro fogos.


7. He o orago desta Parochia Sam Miguel de Machede(4). Tem cinco Altares com o da
Cappella mor; nesta que está decentemente ornada, com sua trebuna e entalhado
doyrado, está o Altar do Santissimo Sacramento, aquem os Irmãos da sua Confraria
todos os annos festejão com solenne pompa; da parte do Evangelho o gloriozissimo
Archanjo Sam Miguel, aquem applaudem os moradores da sobreditta Aldea e Freguezia
com duas festas no anno, huma no seu dia proprio; outra em outro dia que destinão; da
parte da Epístola Som Joze, a quem seus devotos tãobem todos os annos festejão. // Na
face do arco da mesma tem dois altares collatrais; no da parte do Evangelho sam Sam
São Pedro, e no da Epístola huma devotissima Imagem de Nossa Senhora do Rozário, a
quem os Irmãos da sua Confraria applaudem com três festas no anno, a saber no dia em
que a Igreja manda celebrar a festa do Santissimo Rozário, no da Purificação da mesma
Senhora, e no que destinão para celebrarem as suas rezas bentas. Em pouca distânçia
destes ficão duas Cappellas fronteyras com seus altares: a da parte do Evangelho com as
Imagens: de Santo Antonio, a quem todos os annos fazem sua festa os pastores; Sam
Gregório, Sam Bento, Sam João, Sam Romam, a quem todos os annos os lavradores
festejão, e Santo Amaro. Ha três Irmandades na mesma Igreja, a do Santissimo
Sacramento, a de Nossa Senhora do Rozário, e a das Almas; os Irmãos das Almas desta
Freguezia tem três Jubileus no anno, a saberem dia de Sam Sebastião, em dia da
Annunciação de Nossa Senhora e em dia da Santissima Trindade em cujos he grande o
concurso das confiçõens, e comunhões a sim aos irmãos da ditta Confraria, como de
quazi todos os mais parochianos. O Altar mor he priviligiado nas segundas feiras, com
todo o oytavario dos Santtos.


8. He o Parocho desta Freguezia cura, ao qual aprezenta o Excellentissimo e
Reverendissimo Senhor Arcebispo. Tem de renda propria em sessenta e quatro arados, e
meio, que tem a Freguezia seis moyos, e vinte e sete alqueires, a saber: quatro moyos, e
dezoyto alqueyres de trigo; dois moyos e nove alqueires de cevadas; e de contigente que
pagão os cazeyros a rezão de alqueire cada hum quatro moyos de trigo.

9. Nada.


10. Nada.


11. Nada.


12. Nada.

13. Tem esta Freguezia sogeyta a mesma Parochia em o lugar da Quinta do Casco já
referido huma Ermida intitulada da Senhora dos Remédios5 e com a Imagem da mesma
Senhora, com hum altar somente de entalhado dourado, dentro do qual está a mesma
Senhora com sua vidrassa fechada, e com a maior decencia. No Adro desta Parochia
defronte da porta principal em pouca distância, se achava no remate de hum pilar de
pedra mármore a Imagem de Cristo Senhor Nosso em huma crux da mesma pedra de
forma, e semelhança das benedictinas, com a qual tomarão tanta fé os moradores desta
Aldea na occazião do terremoto que houve no anno de mil sette centos, sincoenta e
sinco (porque chegando-se muitos // delles ao sobreditto pillar o acharão firme e
immovel quando as paredes de todas as cazas e da Igreja parecião a rancar-se a
empulsos da violência do ditto terremoto) que concorrendo todos com as suas esmolas
se lhe fes hum nicho a roda por modo de capelinha mas sem altar, aonde e ainda sobre o
mesmo pilar se conserva com grande veneração das gentes que pello sobreditto motivo
lhe derão o titulo do Senhor dos Aflitos(6).

14. À referida Ermida dos Remédios concorrem todo o anno muitos romeyros não só
desta Freguezia, mas de todas as terras cincunvezinhas obrigados da muita fé que tem
na ditta Senhora e pellos muitos e continuos milagres, que por meyo da sua protecção
confessão e conhessem conseguir, sendo este concurso mais numeroso em o dia da
Asumpção da mesma Senhora aos quinze de Agosto, em cujo varios devotos lhe fazem
sua festa com missa e sermão. Ao Senhor dos Aflitos tãobem concorrem não poucas
gentes dos lugares proximos, e com quotediana frequencia os moradores desta Aldea, e
Freguezia, a quem confeção dever despacho nas suplicas, com que a elle nas suas
afliçoens recorrem, de que são evidentes pregoeyros os autenticos, que já nas paredes do
seu nicho se achão.

15. Os frutos que na parte mayor desta Freguezia que se acha no termo desta cidade de
Evora semeyão e recolhem os seus moradores são trigos, senteyos e sevadas, além dos
melõis e malancias que dos muitos meloais que nella fabricão colhem sendo de
especialissimo gosto os melois que produzem. Na parte que esta no termo de Evora
Monte mais senteyo que trigo se semea pella qualidade das terras asim o permitir por
serem povoadas de estevais e de árvores de azinho de que ou de cujos frutos se utilizão
para sustento dos muitos porcos, que nas suas herdades crião.


16. Não tem esta Freguezia juis ordinário, nem Câmara; está sojeyta ao governo das
justiças da cidade de Évora, havendo só nesta aldea hum juis com seu escrivão a que
chamão vulgarmente de aventena para executarem as ordens que daqueles emanão e
obviarem alguns absurdos que suceder possão.


17. Nada.


18. Desta Freguezia, onde naçeo, sahio para a religião do venerável Padre Sam
Francisco o M. R. P. Fr. Lourenço de Santo Thomas, o qual he Mestre Jubilado na sua
Sagrada Religião, foi Provencial da sua Provincia dos Algarves, ainda se acha vivo, e
exercendo o cargo de Padre mais digno da sua Província; nesta mesma Freguezia naçeo
o Padre Frei António do Monte Religioso Eremita da Serra de Ossa da Ordem de Sam
Paulo, o qual foi Geral da sua religião, e a governou muytos annos com plena acceitação
e edificação de todos.


19. Nada. //


20. Não tem esta Freguezia correo, valesse para as suas correspondencias do correo da
cidade de Évora, donde disto esta aldea três legoas.


21. Dista esta Freguezia de Évora cidade capital deste Arcebispado três legoas, e de
Lisboa cidade capital do reyno dezoyto legoas, que com as três de mar fazem vinte
huma.


22. Não tem esta Freguezia, nem a sua aldea privilegios. No sitio em que esta Parochia e
seu adro se achão situados consta havia antigamente no tempo dos godos hum Convento
de Sam Bento, onde o Santo obrava tantos milagres que os mesmos mouros lhe
chamarão “Machdas” que se interpetra “Terra, ou Lugar Santo” de cuja corrupção naceo
a esta Freguezia o nome de Machede. Do ditto convento se descobrem alguns vestigios,
como alicersses, sepulturas aparessendo destas muitos ossos, sendo o signal mais
evidente o Pilar de pedra em que se acha a imagem do Santo Christo crucificado de que
fizemos menção em o número treze destes interrogatórios. Na igreja deste mesmo
Convento, em cujo lugar se acha edificada esta Parochia, como bem o estão mostrando
os vestígios que aparessem he tradição se enterrara Juliano Bispo que foi de Evora(7),o
que depois de nove centos annos se fes publico aos vindouros no seguinte epitáfio, que
na rustica campa do seu sepulcro se descobrio:


Julianus farnulus Christi Episcopus Eclezia Eborensis hic situs est:
Vixit annos plus minus septuaginta:
Requerevit in pace Kalendis Decembns: Era 604
ld est anno de Christo 566


O qual Juliano tinha sido eleyto Bispo de Évora aos trinta e seis annos de idade com
uniformidade de todos os votos, e contra todas as suas esperanças, a que oppondose por
humilde e porque para hum tal ministerio sem merecimentos se julgava, as instançias do
clero, e os gritos do povo o obrigarão a comformarse com as dispozições divinas, pois
bem mostrou o Ceo ser eleyção sua, porque em trinta e três annos que teve de governo,
com o saudavel posto de seus santissirnos exemplos apascentou suas ovelhas. Tendo
emfim a felicidade de que em seu tempo no anno de quinhentos sesenta e quatro sendo
rey Theodomiro ou Ariamiro, como outros o intitulão se celebrasse o Concílio de Lugo(8),
em cuja rezulução conseguio a cidade de Évora the então uffraganea de Braga ser feyta
Metropolitana, e tirandose nessa occazião a Braga não so este Bispado, mas os de Auria,
Asturia, Iria, Tuy e Britonia, lhe deram em satisfação dellas três Bispados da Lusitânea:
- Lamego - Coimbra - e Guarda, ficando só Mérida com cinco suffraganeas. Morreo
Juliano em quinhentos sessenta e cinco. Tendo de idade sessenta e nove. Todos os
autores quando fallam neste Bispo lhe dão o título de Santo. Na mesma referida igreja
dos religiosos de Sam Bento se dis fora sepultado hum servo de Deos chamado Paulo,
ao qual morrendo no tempo do mesmo Bispo Juliano em trinta de Julho de quinhentos
quarenta e quatro se lhe gravou sobre sua sepultura igual e idêntico epitafio do sobre
dito Bispo, o que tudo se pode melhor ver em Rezende, Menezes, e Morales. Liv. 11
Cap. 54. No Convento de Sam Francisco de Évora faleceo o Padre Frey Francisco de
Santo Tomás, que foi comessario dos terceyros, o qual foi natural desta Freguezia, e
morreo com o [pentião] de predestinado.


23. As águas com que os moradores desta aldea lugares, e Freguezia seccão a sua sede //
(a sua sede) e gastão no uzo comum de suas cazas sae de poços ou fontes. Em o
destricto de toda esta Freguezia só ha tres, huma na herdade do Alemo, e outra na
herdade chamada da Fuzeyra, sendo outra que he na herdade chamada do Passo, a mais
estimada das gentes não por especial qualidade que suas agoas tenhão, sim por estar em
pouca distãnçia da Ermida da já referida Senhora dos Remédios, cujas bebendoas com
fé na mesma Senhora os Enfermos experimentão muytos delles nas suas queyxas
evidentes milhoras. Na herdade da Ararochinha ha outra fonte, sem especial qualidade
nas suas agoas.

24. Nada.

25. Nada.

26. No terremoto de mil sette centos cincoenta e cinco não houve nas cazas desta
Freguezia ruina alguma considerável, só nas paredes da Igreja, e do coro desta Parochia
se abrirão algumas tenues raxas; a que o Parocho com vigilante cuydado acodio,
precedendo o serem vistas pello mestre de obras do Excelentissimo e Reverendissimo
Senhor Arcebispo, que dizendo não offenderão o todo, com o concerto, que se lhe fes se
conserva the ao prezente sem temor, nem ameasso de ruina.

27. Sobre a primevra parte destes interrogatórios não achey couza alguma mais quedeva
referir.

Segunda Parte dos Interrogatórios
Nesta segunda parte, em que se procura saber as ethimologias das serras, das lagoas, da
largura, do principio e do fim, dos nomes, rios, villas, lugares, e tudo o mais que nellas
possa haver conciderável, nada tendo que dizer por não haver em o districto de toda esta
Freguezia serra alguma que seja digna de comemoração.


Terceira Parte dos Interrogatórios
1. Nesta Freguezia pouco distante desta Parochia ha huma ribeyra chamada Pardielas,
cujo principio he em a Freguezia chamada de Sam Bento do Matto, distante desta quase
legoa e meya. Além desta ribeira ha outra em distancia desta Parochia huma legoa, a
que chamão de Machede, que naçe tambem na sobre ditta Freguezia de Sam Bento do
Matto.

2. Nenhuma das sobre dittas ribeyras principia caudeloza; só correm no tempo do
Inverno, em que as cheas que tomão lhe dão o cursso perdurandolhes este só emquanto
chove, porque a multidão das áreas, do que principalmente a ribeyra Pardielas he
abundante, embebendo as agoas em pouco tempo as suas correntes suspendem, sendo
por este motivo muy difficultoza a sua passagem, ainda quando vay menos chea, rezão
porque tambem asim huma outra no tempo do // (do) Veram quazi de todo se secam.

3. Na ribeyra da Pardielas entrão no destrito desta Freguezia duas, huma chamada a
Ribeyra do Babarram, que nasce nos coutos de Évora Monte duas legoas desta Parochia,
e outra chamada a ribevra do Espinheiro, que tem o seu principio nas baxas da Serra de
Ossa, distante desta Parochia duas legoas, ambas com as mesmas circunstancias, que
nas acima referidas se ponderarão.

4. Nada.

5. O arrebatado curso de todas estas ribeyras já em o número segundo fica descrito.

6. Correm todas do Norte para o Sul.

7. Os peyxes que nellas se crião são pardelhas e bordalos.

8. A estas ribeyras custumão os moradores desta Freguezia, aldea, e lugares hir no
tempo do Inverno pescar à cana.


9. As suas pescarias são livres.


10. As suas marges se cultivão semeandose de pam, e fazendose em algumas partes
dellas moloais. Não tem arvoredo mais que sylvestre, excepto a de Pardielas, que em
algumas partes he acompanhada de azinheyras, e tãobem as duas que nella entrão.

11. Nada.

12. Não consta que desde o nascente the o poente tenhão outros nomes alem dos sobre
ditos, nem tivessem em outro tempo.

13. Todas as suas agoas se sepultão em o rio chamado Degebe: a Ribeyra de Pardielas
em a Freguezia de Sam Manços deste Arcebispado em distância desta Freguezia duas
legoas, a Ribeyra de Machede na Freguezia de Nossa Senhora de Machede deste
Arcebispado distante desta Parochia legoa e meya.

14. Nada.

15. Nada. /

16. Na ribeyra de Pardielas ha em o districto desta Freguezia hum so moinho chamado
Salgado.

17. Nada.

18. As agoas destes rios são livres.

19. A ribevra Pardielas do principio onde nasce dista do rio onde morre tres legoas e
meya, e não passa por povoação alguma. A de Machede do seu principio the onde
finaliza dista duas legoas, e passa junto da povoação da aldea de Nossa Senhora de
Machede Freguezia deste Arcebispado de Evora.

20. Tem a Freguezia de Sam Miguel de Machede seis centos sessenta e cinco pessoas de
confição, e comunhão trezentas noventa e duas só de confição cento e duas. Menores
cento settenta e huma.

21. Tem o lugar do Moinho Queimado cento quarenta e oyto pessoas, de confissão e de
comunhão settenta e sinco, só de confição quinze e menores cincoenta e sette.

22. Tem o lugar da Quinta do Casco sesenta e huma pessoas de confição e comunhão
quarenta e seis, de confição só oyto, menores sette , cujas todas juntas com as dos
montes fazem o numero das que em o numero terceyro da primeyra parte dos
interrogatorios se disse tem esta Freguezia.

Nestes interrogatorios não ha couza alguma mais que seja notavel e julgasse digna de se
incluir nesta rallação, que offeresso fundamentada com as pessoas modernas e antigas
desta Freguezia. Sam Miguel de Machede. 7 de Junho de 1758.

O Paroco Martinho da Costa Carvalho


(1) S. Miguel de Machede: Freguesia rural do Concelho de Évora. O principal aglomerado populacional e
sede da freguesia é S. Miguel de Machede, a qual foi elevada a vila pela Lei nº. 1519 de 29/12/1923.
Situa-se a cerca de 17 Km a NE de Évora e é atravessada pela EN 254 (Évora-Redondo).
Área: 8 153 ha
População presente: 1 052 hab. (Censos 1991)
Tradicionalmente é referido que no local onde hoje está a Igreja Paroquial (ou nas suas proximidades)
existiu o Convento de S. Bento no tempo dos godos, onde o santo fez muitos milagres, pelo que
chamavam aquele local “Machdas”. que significa “Terra” ou “Lugar Santo”, de cuja corrupção nasceu o
nome de Machede - Padre Francisco da Fonseca. Évora Gloriosa, Roma, 1728. pág. 223
Não sabemos quando foi constituida esta freguesia. Túlio Espanca, no Inventário Artístico do Concelho
de Évora, diz-nos que é uma aldeia de origem antiga; a primeira referência documental conhecida é de
1424 e foi institucionalizada no séc. XVI, com a separação da matriz de Santa Maria de Machede.
Todavia, António Francisco Barata refere com base “[…]em documentos sem autenticidade, é que até ao anno de l200, aproximadamente, a população de S. Miguel fizera parte da freguesia de Nossa Senhora de Machede, e que por esses tempos, naturalmente, por sua vastidão, tivera de ser desmembrada desta, para melhormente poder ser curada” - Breve Notícia da freguesia de S. Miguel de Machede,1903, pág. 7.

(2) A residência do Paço da Quinta é um precioso exemplar rústico - palaciano de construção recente (sécs. XIX-XX), profundamente ligado à cultura regional através dos cenáculos literários nela efectuados e mantidos pelo brilhante espírito de D. Leonor Caldeira (fundadora do Grupo Pró-Évora). Conserva ainda no seu interior a tradicional “casa da amassaria” e no exterior o jardim de características românticas, com um teatro ao ar livre.

(3) Actualmente denomina-se Foros do Queimado e é um núcleo populacional com alguma expressão nesta freguezia.

(4) A Igreja Paroquial já existia em 1534. E um templo do “tipo rural, com fachada voltada ao poente, defrontão de enrolamento e torre sineira de capacete piramidal, onde se conservam dois sinos de bronze [...]
- Túlio Espanca, Arrolamento das Freguesias Rurais, p. 174. No seu interior possui seis altares na nave e
no interior existem dois quadros de pintura a óleo sobre madeira da Escola Primitiva Portuguesa de
meados do séc. XVI, representando a Anunciação e o Presépio e no altar da sacristia existe um tríptico de pintura maneirista, emoldurado por colunas dóricas, mostrando o Calvário, o Passo do Senhor e a
Deposicão no Túmulo, do mestre eborense Francisco João.
Existe também na vila a Igreja de S. Francisco, antiga sede da Ordem Terceira de S. Francisco, instituida em 1777 e inaugurada a 31 de Maio de l789; é de estilo barroco de características regionais. Tem alpendre de tripla arcada de alvenaria e o seu interior é de planta rectangular com sóbria nave de tecto de solta plena decorada por dois altares laterais e nichos rasgados na capela-mór.

(5) Segundo Frei Agostinho de Santa Maria, no Santuario Mariano, Vol.6., a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios remonta aos Primeiros anos da fundação da monarquia portuguesa, teria a forma de uma torre militar onde as populações se refugiavam. Porém, o mais credível, é atribuir a este primitivo edifício sacro - militar a data aproximada de 1360, quando foi instituido o Morgado de Machede ou dos Cascos. O edifício existente sofreu multas alterações (finais do séc. XVII), quer a nível interno, quer externo. Actualmente encontra-se em fase de restauro, uma vez que foram encontrados frescos sob a caiação, destacando-se a abobada da capela-mor em forma de concha, o que nos sugere a hipotese de que este lugar esteve primitivamente ligado aos caminhos de peregrinação a Santiago de Compostela.

(6) Oratório do Senhor Jesus dos Esquecidos: foi reconstruido em l785. Trata-se de um oratório popular, modesto, de paredes levemente pintadas, centrado por retabulo de maquineta rococó, de madeiras polícromas e uma vulgar imagem de “Cristo na Cruz” - Túlio Espanca. Arrulamento das Freguesias Rurais. Évora, 1957, pág. 176.

(7) Juliano “Bispo de Évora, sabe-se que viveu cerca de setenta anos, faleceu no l°. de Dezembro de 566 e foi sepultado na igreja de um convento beneditino, no lugar onde séculos depois se ergueu a igreja paroquial de Machede.” - Fortunato de Almeida. História da Igreja em Portugal, Porto, Potucalense, 1967, Vol I, pág. 65b).

(8) “Em Lugo realizou-se um concílio no ano de 569. Não existem as actas originais, mas parece certo, ao menos pelo consenso dos historiadores, que nele se resolveu, a pedido do rei suevo Teodomiro, já
convertido ao catolicismo, elevar a catedral de Lugo a dignidade arquiepiscopal, e fazê-la meiropolitana
com cinco igrejas sufragáneas: Orense, Astorga, Iria Flãvia, Tiu e Britónia. Esta divisão não foi duradoira. Assistiram ao concilio nove prelados, entre os quais Lucrécio, arcebispo de Braga.” - Fortunato de Almetda. Idem, pág. 33a)




Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado


GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758
(Conclusão). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 2ª Serie, nº 1 (1994-95),
pp. 89- 156.

Actualizado em Domingo, 20 Fevereiro 2011 23:27  


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