Memórias Paroquiais

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Évora - São Jordão

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1758 Maio 13 - São Jordão
Memória Paroquial de São Jordão, Évora (Esta freguesia foi suprimida, sendo anexada à freguesia de N.ª S.ª do Rosário de Torre de Coelheiros)
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. (J) 18, nº 33, pp. 237 a 240]

Excelentissimo e Reverendissimo Senhor


Porque dezeis muito satisfazer aos reverentes preceitos de V. EXª. Reverendissima
juntamente às justissimas determinasoens de Sua Masgestade Fidelissima Nosso
Fidelissimo Monarca, que Deus guarde respondo primeiramente aos interrogatorios que
se me propoem, no que se procura saber desta terra, na forma seguinte:

1. Esta igreja paroquial de S. Jordão e sua freguesia(1) fica na província do Alemtejo;
pertence ao Arcebispado de Évora, a seu termo e comarca.


2. Respondo que esta terra he de El-Rey nosso senhor que Deus guarde.

3. Respondo que esta freguezia de S. Jordão consta de vinte e tres herdades, nas quais
ha outros tantos moradores de casas desse numero de herdades, so sete tem lavradores
assistentes, que as cultivam, nas mais moram pastores, trabalhadores e alguns
singaleiros, que por todos geralmente completam o numero de quarenta e sete vezinhos.
E o numero de pessoas de ambos os sexos, desde o maior athe ao menor, e minimo; que
ao prezente se acham nascidos, e moradores nesta mesma freguezia de S.Jordão, são por
todas duzentas e cincoenta e huma.

4. Respondo que esta igreja paroquial de S. Jordão(2) está situada em huma breve costa
de hum pequeno outeiro entre o Nascente e Sul; dela se descobre o convento dos
religiosos paulistas da Serra se Ossa na distancia de sinco legoas, na mesma distancia,
pouco mais se descobre a villa de Evoramonte, e na mesma distancia pouco menos se
descobre a villa do Redondo.

5. Nada ha que responder.

6. Nada.

7. Respondo = O orago desta igreja he o Senhor São Jordão segundo bispo de Evora(3) e
martir; esta colocada a sua sagrada imagem no altar maior: tem mais dois altares
colateraes, hum do Santissimo Nome de Jesus, e o outro de Nossa Senhora da Luz, são
tres altares, he igreja pequena de humma nave, e tem huma pequena irmandade de
Nossa Senhora do Rozario.

8. Respondo, que o parocho desta igreja de S. Jordão he cura aprezentão o Senhor
Arccebispo de Évora; tem o parocho de renda propria tres moios e quarenta e dois
alqueires; tres partes iguais, duas de trigo, e huma de sevada.//

Aos interrogatorios 9, 10, 11, 12, 13, 14 Nada.

15. Respondo que os frutos da terra desta freguezia de S. Jordão que mais abundam,
sam os pastos e ervas, ou como ca lhe chamam as pastagens em que andam grandes
rebanhos de ovelhas de certos homens de negocio moradores na cidade de Evora, os
quais tem arrendado o maior número das herdades desta freguezia, as quais nam
cultivam, pela conveniencia das ditas pastagens, bem he verdade que se as tais herdades
tivecem cultura (como deviam ter) nisto convem todos que produziriam bastante trigo,
munto senteio e sevada, assim como produzem as outras herdades que sam cultivadas
pelos lavradores que nelas moram.

16. Respondo que esta freguesia esta sugeita no temporal ao juis de fora, câmara e a
todas as mais justiças da cidade de Evora.

17º Nada.

18. Respondo, que supposto nam haver memoria que desta freguesia de São Jordão
sahicem ou florecessem homens insignes por virtudes, letras, ou armas; todavia o
Reverendo Padre Mestre Frei Antonio das Chagas, religioso agostinho descalso, doutor
na Sagrada Teologia formado pela universidade de Evora, conventual no convento de
Nossa Senhor das Merces da mesma cidade, he natural desta mesma freguesia.

19. Nada.

20. Respondo que o correio de que se serve e pode servir esta freguesia he o da cidade
de Evora de duas legoas de distancia.

21. Respondo que esta freguesia de S. Jordão dista duas legoas da cidade de Evora, seo
arcebispado, e vinte e huma legoas da cidade de Lisboa capital do reyno.

22. Nada

23. Nada

24. Nada

25. Nada

26. Respondo que o pequeno destrosso, ou ruina que cauzou o terramoto de 1755 nesta
freguezia de São Jordão esta quase reparada.

27. Não ha mais que responder.//

Ao que se procura saber das serras? Não tenho que responder a nenhum dos 13
interrogatorios porque nenhum deles comprehende couza que pertence a esta freguezia
de São Jordão, por ser quazi toda ela campina de valles e alguns pequenos outeiros; no
maior dos quais outeiros, a que chamam serra da Espinheira esta huma cova(4) aonde
dizem estivera o Santo São Jordão fazendo vida de anacoreta; nam tem igreja, nem
ermida, senão so montes de pedras, telhas, que lhe levam os seos devotos e algumas
cruzes(?), dista da Igreja Parochial hum quarto de legoa. E assim nam ha mais que
responder a nenhum dos 13 interrogatorios referidos.

Ao que se procura saber dos rios? Se ha de adevertir que por esta freguezia de São
Jordão nam passa rio com as circunstancias propostas nos seguintes 20 interrogatorios.
Porem respondo ao primeiro na forma seguinte = Nesta freguezia de S. Jordão, termo da
cidade de Evora nas herdades de Pinheyros e Crilheyra nasce hum pequeno rio, ou para
dizer melhor principia huma pequena ribeyra chamada Zambuja por onde passa, nesta
mesma freguezia.

2. Respondo que a tal ribeyra Zambuja nem nasce caudeloza nem corre todo o anno,
principalmente nesta freguezia de São Jordão, na qual corre só no tempo do Inverno,
quando tem chovido.

3. Respondo que não entram nella outros rios mais do que a ribeyra chamada a Pessena
na freguezia de Monte de Trigo neste mesmo termo de Evora, em distancia de duas
legoas desta freguezia de S. Jordão; tambem nesta freguezia e na de S. Manços proxima
a esta em distancia de huma legoa entram na tal Zambuja algunss pequenos rios de
nenhum nome.

4. Nada.

5. Respondo, que no Inverno quando leva munta agoa he arrebatada no curso, e no mais
tempo nam.

6. Respondo que a dita ribeyra corre do Poente ao Nascente//

7. Respondo que os peixes que a tal ribeyra cria, sam pardelhas, bordallos e outros
peixinhos pequenos e de todos estes em abundancia nos anos de Inverno.

8. Respondo que no Inverno principalmente, e na Primavera se pescam estes peixinhos.

9. Respondo que livremente os pescam.

10. Respondo que as margens desta Zambuja sam terras limpas de arvores e de
silvestres, principalmente nesta freguezia de S. Jordão. São munto espaçozas de culturas
as suas margens, porém muntos se não cultivam pella razam dita no interrogatorio 15
das terras.

11. Nada.

12. Nada.

13. Respondo que esta Zambuja morre no Digebbe, que he rio maior na freguezia de
Monte de Trigo em distancia de duas legoas e meia desta freguezia de São Jordão.

14. Nada.

15. Nada.

16. Respondo que esta tal ribeyra chamada Zambuja tem dois moinhos na freguezia de
S. Manços, proxima a esta freguezia, e na freguezia de monte de Trigo proxima a de
São Manços tem dois pizoens; não tem mais nada do que se procura nestes
interrogatorio.

17. Nada.

18. Nada.

19. Respondo que a tal Zambuja tera quatro legoas de distancia desde o principio athe
ao fim; passa pelas aldeias de S. Manços e Monte de Trigo em pouca distancia.

20. Nada mais tenho que responder, pois nam considero coiza notavel, de que haja de
dar resposta, e me parece tenho satisfeito a todos estes interrogatorios, na forma que me
ordenou Vossa Excelencia Reverendissima. S. Jordão aos 13 de Maio de 1758 annos

O Paroco Joze Roiz Telles


(1) Extinta sede de freguesia rural do concelho de Évora. Através do DL nº. 35 927 de 1 de Novembro de
1946, a freguesia de Torre de Coelheiros passou a incluir as freguesias de S. Marcos da Abóbeda, S.
JORDÃO, e S. Bento de Pomares. Situa-se a cerca de 12 km de Évora.


(2) Edifício de finais do século XVI que sofreu alterações posteriores, composto por um alpendre de 3
arcos de alvenaria e empena destacada e de campanário de frontão com sino de caracteres fundidos. A
cúpula da capela-mor é de telhado de linhas radiais. Túlio Espanca, Op. Cit.,pp. 149-150. Encontra-se
muito arruinada, sobretudo no seu interior, causando mesmo constrangimento. Segundo o Agiólogo
Lusitano foi neste local que S. Jordão foi martirizado cerca do ano de 305.

(3) Sobre este assunto veja-se, entre outras, a obra de Fortunato de Almeida, História da Igreja em
Portugal, 1930, Vol. I, p.65b) "Tradições a que não pode atribuir-se qualquer valor histórico deram como
primeiro apóstolo e bispo de Évora S. Manços, que disseram ser natural de Roma [...]. O mesmo crédito
merece a tradição referente a outros bispos de Évora, nos princípios do século IV."

(4) Na região de Évora conhecem-se várias "covas", nomeadamante na Serra d'Ossa, que serviram de refúgio aos
eremitas.



Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado


GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758
(I Parte). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 1ª Serie, nº 71 (1988), p. 187-
212.

Actualizado em Segunda, 21 Fevereiro 2011 11:46  


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