Memórias Paroquiais

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Évora - Nossa Senhora de Machede

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1758 Maio 21 - Nossa Senhora de Machede
Memória Paroquial de Nossa Senhora de Machede, Évora
[ANTT, Memórias Paroquiais, vol. 22 nº 17, pp. 95 a 106]

Desta aldeia e freguezia de Nossa Senhora de Machede, ,termo da cidade de Evora, ao
que della se procura saber pellos interrogatorios prezentes respondo,

1. Ao primeiro - Esta terra he aldea e freguezia de Nossa Senhora de Machede(1), fica na
Provincia do Alemtejo, pertence a este Arcebispado de Evora, he commarca e termo da
mesma cidade de Evora, pertence e he freguezia de Nossa Senhora de Machede, porem
os dizimos se pagão á Santa Sé da dita cidade, e ás outras quatro igrejas da dita cidade,
conforme o sitio das cazas que na mesma cidade servem de pousada aos lavradores
desta freguezia, e varios uzos que na arrecadação dos mesmos dizimos ha por antiguo
costume.

2. Ao segundo - Esta aldea e freguezia he e sempre tem sido de Sua Real Magestade
Fidelissima El-Rey Nosso Senhor que Deos conserve felizmente por muitos annos; e as
cazas desta aldea estãao edificadas em os confins de duas herdades, huma se chama a
herdade do Bossalfão de que he senhorio Fernando de Larre(?) provedor dos almazaes
da cidade de Lisboa; e a outra he a herdade de Moncoveiro de que he senhorio Rodrigo
Chimenes Pereyra Coutinho Barriga e Veyga da dita cidade de Lisboa e dizem ser
fidalgo de Sua Real Magestade Fidellissima, a cujos senhorios pagão os moradores //
{os moradores} desta aldea, que nella tem cazas e ferrejaes, huma galinha de foro por
cada vinte varas de terra que occupão em circuito com as cazas e ferrejaes. E os
lavradores que lavrão o restante das ditas herdades pagão suas rendas conforme se
ajustão com os ditos senhorios.

3. Ao terceiro - Tem esta aldea cento e setenta vezinhos, e tem mais as quarenta e huma
herdades que comprehende toda a freguezia nas quais ha oitenta e oito vezinhos
entrando lavradores e cazeiros, e vem a somar todos os vezinhos que tem toda esta
freguezia, entrando aldea e herdades o numero de duzentos e sincoenta e oito vezinhos.
Ha nesta aldea quatro centos e sincoenta pessoas de confissão de ambos os sexos, e há
nas quarenta e huma herdades desta freguezia, quatro centos e sincoenta e seis pessoas
de confissão de ambos os sexos. E vem a somar todas as pessoas que há por toda a
freguezia entrando herdades e aldea o numero de nove centos e seis pessoas de
confissão; e haverá mais de cem pessoas de idade de sete annos para baixo.

4. Ao quarto - esta aldea esta situada em campina; mas tem seus outeiros não mui
levantados por toda a freguezia, e a aldea tambem esta situada sobre dois e parte de tres
outeirinhos; e dos outeiros se descobre a cidade de Evora para a parte do nascente; o
castello da villa de Evoramonte para a parte do poente, e a villa de Montoito para a parte
do Sul; porem de dentro da aldea não se descobre nenhuma destas terras; e a cidade // de
Evora dista desta aldea duas legoas; e a villa de Evoramonte dista tres legoas; e a villa
de Montoito dista outras tres legoas.

5. Ao quinto - Esta aldea e freguezia não tem termo seu, mas he termo da cidade de
Évora.

6. Ao sexto - A parochia que he a igreja(2) esta dentro desta aldea na parte da herdade de
Moncoveiro sobredita; e não tem mais lugares, ou aldeas esta freguezia.

7. Ao setimo - O orago desta Igreja he Nossa Senhora da Natividade de Machede. Tem
a igreja tres altares: o primeiro he o altar mor que he da dita Senhora orago, e do
Santissimo Sacramento; tem a imagem da mesma Senhora feita de vestir, colocada á
mão direita do dito altar, e da parte esquerda tem a imagem do Senhor São Joze feita de
estofado; em o meyo esta o Sacrário com o Santissimo Sacramento, aonde se conserva
ha dois annos somente porque antes não havia sacrário nesta igreja. O segundo altar he
de Nossa Senhora do Rozario, e de Nossa Senhora da Assumpção, tem a imagem desta
Senhora feita de vestir, collocada no meyo, e da Senhora do Rozario feita de estofado
colocada á parte direita e da parte esquerda está a imagem de Santa Luzia feita de
estofado. E o terceiro altar he das Benditas Almas do Purgatorio, e do Menino Jesus;
tem a imagem do Santissimo Menino no meyo dentro em huma vidraça e a imagem do
Senhor São Miguel estofada a parte direita e a imagem de Santo Antonio (?) para a
parte esquerda, ficão estes dois altares pegados ao arco cruzeiro da capella mor da parte
de fora da dita capella, virados para a porta principal da Igreja em correspondencia hum
do outro. A igreja não tem naves, pois toda ella he de huma so nave bem fortificada //
das paredes e abobadas, tem azulejo athe o meyo das paredes assim o corpo da Igreja
como a capella mor e do meyo para sima he de estucado em quadros com varias
imagens pintadas athe pelo tecto os tem com várias pinturas do misterio da Virgem
Nossa Senhora. Tem tres irmandades huma he do Santissimo Sacramento erecta no
anno de 1756 proximo, outra he das Santas Almas do Purgatório erecta no anno de
1721, e a terceira he de Nossa Senhora do Rozario erecta no anno de 1652.

8. Ao outavo - O paroco desta igreja he cura amovivel aprezentado pelo Excellentissimo
e Reverendissimo Senhor Arcebispo deste Arcebispado de Evora ou pello Illustrissimo
e Reverendissimo Cabido sede vacante. Tem o paroco de renda certa quatro moys e
vinte alqueires de trigo e dois moys e dez alqueires de cevada, estabelecidos por
antiguidade de tempo, e pagos pelas herdades desta freguezia para o que estão lotadas
cada huma em certo numero de arados mais ou menos conforme a bondade dellas, e
entre todas fas o compoto de sessenta e sinco arados numero fixo, e por cada arado se
paga quatro alqueires de trigo, e dois de cevada, que vem a emportar nos ditos quatro
moyos e vinte alqueires de trigo e dois moyos e dez alqueires de ceveda, cujos moyos
pagão os lavradores que trazem as herdades de renda, ou os senhorios das herdades
quando as não trazem arrendadas, ou qualquer pessoa, seja de que qualidade for que
trouxer de posse as herdades. Tem mais de renda contigente hum alqueire de trigo, que
paga cada vezimho que morar na freguezia não sendo lavrador que nella tenha herdade
sua ou de renda; chamo, a este rendimento contigente porque pode acontecer não
{haver} // haver vezinho cazeiros na freguezia, e assim fica so o rendimento das
herdades. Mas porque agora morão na freguezia duzentos e vinte e sete vezinhos
cazeiros (excepto os lavradores) tem o paroco de renda duzentos e vinte e sete alqueires
de trigo pagos pelos mesmos cazeiros, alem dos sobreditos quatro moyos e vinte
alqueires de trigo e dois moyos e dez alqueires de cevada pagos pelos arados das
herdades. E vem a somar toda esta renda em quatro centos e oitenta e sete alqueires de
trigo e cento e trinta alqueires de cevada por tudo; cujo rendimento se chama bollo, ou
congrua para sustento do paroco.
E o pé de altar rende trinta mil reis huns annos por outros. Rende tambem esta igreja ao
sanchritão della hum moyo, e sinco alqueires de trigo renda certa, e estabelecida nos
sobreditos sessenta e sinco arados das herdades por cada arado hum alqueire, e mais
cento e treze alqueires e meyo de trigo renda contigente que pagão os duzentos e vinte e
sete vezinhos que tem a freguezia; cada cazeiro e vezinho não sendo lavradores paga
meyo alqueire, e assim vem a emportar ao tudo em cento e setenta e oito alqueires de
trigo e meyo e do pé de altar rende dez mil reis huns annos por outros.

9. Ao nono - Esta igreja nao tem beneficiado algum, nem coadjutor, mas somente o
paroco.

10. Ao decimo - Esta freguesia não tem convento algum.

11. Ao undecimo - Nao tem hospital.

12. Ao duodecimo - Não tem Caza de Misericórdia.

13. Ao decimo terceiro - Tem so huma ermida de São Sebastião,3 a qual esta fora desta
aldea huma legoa na Quinta da Herdade da Fonte Coberta; e pertence a Antonio
Machado Borges da villa de Mértola deste Arcebispado e a Joze Alvaro da Camara da
cidade de Evora, os quaes são obrigados ao ornato e conservação da dita ermida.

14. Ao decimo quarto - Não acode a esta ermida {romage} // romagem, so por acaso
algumas pessoas sem ser em dia determinado.

15. Ao decimo quinto - Os frutos da terra que os moradores desta freguezia recolhem
em mais abundancia são trigo, alguma cevada e centeyo.

16. Ao decimo sexto - Esta freguezia nao tem juis ordinario, nem camara, e so tem juis
e escrivão chamado vulgarmente da vintena, os quais aprezenta a camara da cidade de
Evora; e as justiças da mesma cidade he esta freguezia subjeita.

17. Ao decimo setimo - Esta freguezia não he couto, cabeça de conselho, honra, nem
behetria.

18. Ao decimo outavo - Não ha memória que nesta freguezia florecessem, nem della
sahissem homens insignes em virtude, letras ou armas. Só me dizem que o Reverendo
Balthazar Coelho Monteiro, que foi paroco desta igreja trinta e oito annos e faleceu no
anno de mil seis centos e trinta e quatro, tem seu corpo inteiro na sepultura em que foi
enterrado na capella mor desta igreja para a parte e lado esquerdo, e tem sua campa de
marmore com letreiro, que declara ser aquella sua sepultura, e que não se enterre nella
mais ninguem para o que deixou á fabrica humas cazas na cidade de Évora, e huma
courella de terra e huma lampada de prata que tem esta igreja, e a dita caza e terra
rendem agora sete centos e vinte de foro para a fabrica; o dito reverendo foi o que
reformou com sua deligencia concorrendo os freguezes esta igreja refazendo-a de novo
no anno de mil seis centos e vinte e quatro, e demolindo a antiga, que na verdade antiga
era, pois era feita no anno de mil e duzentos e vinte e hum conforme consta de hum
padrão e letreiro que está sobre a porta // {a porta} principal desta dita igreja; e com
effeito ninguem se tem enterrado na dita sepultura, nem eu sei com certeza se a tem
aberto alguem para averiguar se o corpo do dito reverendo está ou não inteiro.

19. Ao decimo nono - Não ha feira alguma nesta freguezia.

20. Ao Vigessimo - Não tem correyo esta freguezia e se serve do correyo da cidade de
Evora, que dista duas legoas.

21. Ao Vigessimo primeiro - Esta aldea dista da cidade capital que he Evora duas
legoas; e da cidade capital Lisboa do Reyno dista vinte e huma legoas.

22. Ao Vigessimo segundo - Consta-se que o senhorio da herdade de Bosalfão a sima
nomeado tem o privilegio das taboas vermelhas (?) do qual se tem valido a parte dos
moradores desta aldea que na dita herdade tem cazas, e não sei que haja nesta freguezia
mais privilégios, ou antiguidades dignas de memoria.

23. Ao vigessimo terceiro - Não me consta que nesta freguezia nem perto della haja
fonte ou lagoa celebre, nem agoa de especial qualidade.

24. Ao vigessimo quarto - Não ha porto de mar, antes fica muito bem longe delle esta
freguezia, pois o mais perto que dista he daqui a Alcacer do Sal, que fazem daqui onze
legoas.

25. Ao vigessimo quinto - Esta aldea não he murada, nem praça ,de armas, nem ha
nella, nem no seu destricto castello, nem torre antiga, ou moderna.

26. Ao vigessimo sexto. - Não padeceu esta aldea e freguezia ruina alguma no
estupendo terremoto de mil setecentos e sincoenta e sinco em dia de todos os Santos.
Somente na igreja abriu algumas pequenas rachas, que ao prezente estão reparadas, e só
lhe ficou huma racha ao cumprido pelo tecto da abóbada a qual racha //{racha} ja a
tinha antes deste terremoto e se suppoem abriu quando assentarão as paredes e
abobedas, ou em outro terremoto, mas não cauza pirigo, nem em este terremoto fes
mayor abertura do que antes tinha.

27. Ao vigessimo setimo - Não me consta haver nesta freguezia mais couza alguma
notavel, ou digna de memoria.

E pelo que respeita aos interrogatorios da serra respondo:

Nesta freguezia não ha serra e só tem alguns outeiros, e delles o que he mais levantado
he o outeiro que está na herdade de Bativelhas (?), a qual chamada impropriamente a
Serra de Bativelhas, tem de comprimento meya legoa, e de largura hum quarto de legoa
e na ponta do dito outeiro para a parte da herdade da Fonte Coberta estão uns foços, ou
covas grandes aonde parece se cavou antigamente alguns metaes, porem não consta de
que qualidade, e por alguns vestigios, se julga, seria ferro. Não me consta que neste
outeiro haja couza especial que declare sobre os interrogatorios; o dito outeiro cria mato
de esteva que se rossa e a terra assim rossada produz trigo e centeyo; tambem há nelle
bastantes arvores agrestes azinheiras e sobreiras que produzem bolota com que
engordão os porcos; há bastante salva brava, ruta brava, que se dis serem medicinaes; e
por outras partes da freguezia se crião raizes de escorcioneira para fazer doces; e assim
o dito oiiteiro, como os mais sitios da freguezia produzem bastante esteva aonde se
crião coelhos, perdizes e lebres, e rapozas em suffeciente quantidade // e tambem há
bastante creação de ovelhas, cabras e boys, e porcos; e não sei que haja couzas que dizer
com especialidade sobre os interrogatorios mais do que tenho dito enquanto á serra.

E pelo que respeita aos interrogatórios do Rio
respondo:

1. Ao primeiro - Ha nesta freguezia dous rios, hum se chama o Dejebe, o qual nasce no
sitio das Simalhas na herdade da Capella freguezia de Nossa Senhora da Consolação da
Igrejinha termo da villa de Arrayolos; e outro se chama a Ribeira de Machede, o qual
nasce na herdade da Fuzeira freguezia de S. Miguel de Machede deste termo, e tambem
nasce do Castelinho ,junto á herdade de Castello Ventozo freguezia de São Bento do
Matto deste termo da cidade de Évora.

2. Ao segundo - Nenhum destes dous rios nasce caudalozo, nem corre todo o anno,
porque só quando há chuvas correm.

3. O terceiro. - Só no rio Dejebe entrão a sobredita ribeira de Machede dentro desta
freguezia; e fora della entrão huma ribeira chamada da Fonte Boa das Vinhas no sitio
das Vinhas da cidade de Evora e outra ribeira de Pardiellas no sitio do Chainho (?)
freguezia de S. Manços deste termo.

4. Ao quarto - Nenhum destes rios he navegavel.

5. Ao quinto - Ambos os sobreditos rios são de curso quieto.

6. Ao sexto - Ambos correm de Norte a Sul.
7. Ao setimo - O Rio Dejebe cria varios peixes meudos //{meudos} como são pardelhas,
bordallos e barbos em igual abundancia. E o outro rio chamado a ribeira de Machede
não cria peixes, porque de Verão se seca e só lhe ficão alguns charcos aonde se não
conserva criação de peixe; porém no tempo em que há agoas correm para este rio
daquelles peixes meudos do outro rio Dejebe.

8. Ao oitavo - Em todo o tempo do anno se pesca no dito rio Dejebe, principalmente no
tempo do Verão pois lhe ficão bons pegos em que se pesca com redes, porém na ribeira
de Machede só se pesca quando correm as agoas e então é com cana ou tarrafa.

9. Ao nono - As pescarias são livres para todos.

10. Ao decimo - Nas margens dos ditos rios se cultivam trigos e cevadas, e não há
árvores manças, e só sobreiros e azinheiras bravas, em partes.

11. Ao undecimo - As aguas destes rios não tem virtude particular, antes me parese, são
nocivas aquem nellas de entra.

12. Ao duodecimo - Estes dois rios conservão em toda a sua distancia o mesmo nome,
nem há memoria tivesem outro nome.

13. Ao decimo terceiro - O rio Dejebe morre no rio chamado Agodiana no sitio
chamado o Roncão e a ribeira de Machede morre no dito Dejebe no sitio chamado as
juntas da ribeira dentro nesta freguezia.

14. Ao decimo quarto - Ambos os rios tem açudes com levadas para engenhos de
moinhos; a ribeira de Machede tem dois, hum he o assude do moinho de Caetano Dias e
o outro açude do moinho de // Francisco Rodrigues Bacaro, juntos a esta aldea. O
Dejebe tem mais assudes, eu sei de sete, o primeiro no sitio do alagar derobado junto da
ponte, o segundo he o moinho do Freyxial, o terceiro o moinho de cento e dez, o quarto
o moinho do Silveira, o quinto o moinho da corte, o quinto (sic) o moinho de João
Poteira, o sexto o moinho do gatto, o setimo o moinho da Tisoureira, e ainda dahi para
baixo me consta há mais moinhos athe entrar no Godiana.

15. Ao decimo quinto - O rio Dejebe tem quatro pontes de pedra de cantaria e cal, a
primeira no sitio da herdade do alagar derobado na estrada que vem de Estremoz para
Evora; a segunda no sitio das vinhas de Evora na estrada que vem de Villa Viçoza para
Evora, a terceira no sitio do Chainho na estrada que vem da villa de Montoito para
Evora, e a quarta no sitio da herdade do Albardão na estrada que vem da villa de
Monsaraz para Evora.

16. Ao decimo sexto - Ambos os rios tem varios engenhos, de moinhos como assima ja
disse, e não sei tenhão outros engenhos.

17. Ao decimo setimo - Não consta que das areas destes rios se tirasa ouro, nem ao
prezente se tira.

18. Ao decimo oitavo - Os povos uzão livremente das aguas destes rios sem pensão
alguma, porém nesta freguezia não utilizão para cultura dos campos, porque não se rega
campo algum com ellas, nem correm de Verão quando melhor podião utilizar.

19. Ao decimo nono - O rio Dejebe tem nove legoas desde o seu nascimento athe onde
acaba, e a ribeira de Machede tem legoa e meya desde o seu nascimento athe onde
morre; não passão por povoações, e só perto desta aldea he que passão. //

20. Ao vigessimo - Não me consta de couza alguma notavel que possa dizer nestes
interrogatorios, nem fora do que elles conthem.

Tudo o que tenho respondido me paresse verdade, e por assim ser me asigno. Nossa
Senhora de Machede 21 de Mayo de 1758,
O Paroco da Igreja, Manuel Ferrão


(1) Actual freguesia rural do concelho de Évora. No censo de 1864 figura apenas Machede (Natividade). No
censo de 1878 figura Machede (Nossa Senhora da Natividade). A partir de 1911 figura Machede - Nossa
Senhora da Natividade - Valongo. Pelo DL nº. 27 424, de 31/12/1936 passou a denominar-se Nossa
Senhora de Machede. Situa-se a cerca de 12 km de Évora, para Nascente. Área: 18 534 ha. População
presente (Dados preliminares - Censos/91): 1 277 habitantes. Não se conhece concretamente a data da
fundação da freguesia ou da povoação, no entanto, sabe-se que tem uma origem muito remota e a sua área
englobava também as das freguesias de S. Miguel de Machede e S. Bento do Mato. Há quem defenda que
Machede é uma alatinação do termo árabe "madchas", que significa terra do Senhor ou lugar santo.


(2) O edifício actualmente existente remonta a 2 de Fevereiro de 1624, que substituiu um anterior sagrado
em 1221, conforme o testemunha uma lápide existente na sua fachada. É composto por uma nave
contrafortada, de três tramos, com bolas decorativas na platibanda e alpendre de três arcos de abóbada de
aresta, sobrepujado por dois pitorescos campanários de sinos de bronze com frontões de enrolamento. No
seu interior, as paredes estão cobertas com painéis de azulejos representando temas e personagens
bíblicas e mitológicas. Na capela-mor, de planta rectangular e pouco profunda, existe um retábulo rococó
de talha dourada com a imagem da Padroeira. Túlio Espanca, Op. Cit., pp. 164-166.

(3) Situa-se esta adulterada construção religiosa, na quinta das vastas terras que constituiram cabeça de
morgadio de Lopo Álvares de Moura, em tempos remotos, representado noano de 1766 pelo lavrador
fidalgo Verissimo António Limpo de Moura, e que, desde finais do século XV já tinha a denomina- ção
de Fonte Coberta.



Transcrição: Maria Ludovina Grilo
Revisão: Francisco Segurado

GRILO, Maria Ludovina B. – O Concelho de Évora nas Memórias Paroquiais de 1758
(I Parte). A Cidade de Évora. Évora: Câmara Municipal. 1ª Serie, nº 71 (1988), pp. 187-
212.

Actualizado em Segunda, 21 Fevereiro 2011 21:51  


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