Memórias Paroquiais

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Arraiolos - Vimieiro

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Vimieiro, 1758, Maio, 23
Memória Paroquial da freguesia de Vimieiro, comarca de Estremoz
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 41, nº 343, pp. 2077 a 2086]

 

 

/p. 2077/

N 343

Respostas, que o Excelentissimo, e Reverendissimo Senhor Dom Frey Miguel
de Tavora, por merse de Deos, e da Santa Seê Apostolica, Metropolitanno
Arcebispo de Evora, manda dar a huns interrogatorios, que emanarão da
Secretaria do Estado dos negocios deste reyno. Em seu comprimento, respondo.
1 Fica a villa do Vimieyro na Provincia do Alentejo; pertence ao
Arcebispado, da nobre Corte e cidade de Evora, e Comarca de
Estremôs.
2 He de donatario, e ao prezente o he o Excelentissimo Conde Dom
Sancho de Faro, e Souzas.
3 Tem duzentos, e noventa, e tres vizinhos dentro da villa pessoas
mayores oitocentos, e trinta, e tres; menores setenta, e oito. No
campo pertencentes [sic] a Matris da mesma villa em montes, e
erdades tem sincoenta, e quatro vizinhos; nelles pessoas
mayores tem quatrocentas, e quinze ; menores quarenta, e huma.
4 Está situada a mesma villa em campina; della se discobre a villa de
Evoramonte entre o Sul, e Nacente, distante desta villa do
Vimieyro duas legoas. Para a parte do Nacente se descobre a
vila de Estremôs distante tres legoas. Entre o Nacente, e Norte
se descobre a villa de Fronteyra, distante sinco legoas. Para a
parte do Norte se descobre a villa do Canno distante duas legoas.
Entre Norte, e Poente em distancia de tres legoas, se descobre a
villa de Pavia. Para a parte do Poente, distante duas legoas se
descobre o castello da villa de Arrayolos.
5 Tem termo seu; nelle não há lugares, ou adeas [sic] algumas, somente
tem huma freguezia com a invocassão de Santa Justa, da qual
hirá relação do reverendo parocho.
6 A parochia esta dentro da villa, para a parte do Poente, na parte
exterior da mesma villa. Não comprehende mais, que a villa, e
parte do termo, e não tem anexos lugares alguns, ou aldeas.
7 O seu orago he a Senhora da Encarnação; tem dentro des altares, dos quaes seis
são irmandades, e confrarias. Entrando pella porta principal da igreja á mão
direita; o primeyro altar he o da Transfiguração, que he capella particular
instituhida por Luzia


/p. 2078/ Luzia Barreta da Barca no anno de mil seiscentos, e sincoenta, dotando a de
rendas com pensão de missas, que anda em morgado. A segunda capella da
mesma parte he a de Nossa Senhora da Encarnacão, he irmandade; foi
instituhida no anno de mil quinhentos, e trinta, e dous; depois por zello de Dom
Francisco de Farão, senhor, que foi desta villa, foi posta em milhor ordem, elle
fes novo comprimisso e a tem os Condes desta villa na sua protecção. Da mesma
parte esta a cappella do Senhor dos Santos Passos; he irmandade confirmada
pello Excelentissimo Ordinario, que antão era Dom Frey Simão da Gama no
anno de mil, setecentos, e quatro, intervindo o zelo dos moradores deste povo, e
principalmente do doutor Jacinto Pimentel Arnaut, e sua molher, que deicharão
a mesma irmandade suas fazendas, instituhindo nella suas capellas de missa
quotidianna, e das sobras mandando, que se dividão em duas partes iguaes;
huma para a procissão dos Santos Passos; a outra para dotes de des mil reis cada
hum para nossas orfãas. O quarto altar está da mesma parte, dentro na mesma
capella com a invocassão do santo nome de Jesus. O quinto he o de São
Gregorio, que he o colatral da parte da Epistola. O sexto he o altar mayor, aonde
esta o orago da igreja; e tãobem esta a irmandade do Santissimo Sacramento,
que foi instituhida por zelo do mesmo Dom Francisco de Farão no anno de mil,
quinhentos, e sincoenta, e sinco. O setimo altar he o da Senhora da Conceyção;
he o colatral da parte do Evangelho; tambem he irmandade com a invocação de
Nossa Senhora da Conceyção; foi instituhida no anno de mil, quinhentos, e
noventa por zello dos moradores deste povo. O oitavo altar he o das Almas, que
tambem he irmandade, he a sua instituhissão do anno de mil, seiscentos, e des, e
foi confirmada no mesmo anno, fica da mesma parte do Evangelho.o nono, que
tãobem he irmandade, he o de Nossa Senhora do Rozario; foi instituhida, e
confirmada no anno de mil seiscentos, e dezassete. O de

/p. 2079/ decimo he o dos Santos Reis; he cappella particular, que mandou edeficar
Gaspar Velho Portugal Rey de Armas, Cavalleyro da Ordem de São Tiago no
anno de mil, quinhentos, e noventa, e seis, a qual dotou de rendas, com missa
quatidianna. A igreja he de huma nave só.
8 He Priorado, e anda anexo ao Deado da See da cidade de Evora, e de
prezente he Prior o reverendo deão Manoel de Azevedo Corte
Real. Rende huns annos por outros tres mil, e quinhentos
cruzados. Aprezenta o mesmo deão, e prior dous curas, para a
administracão dos sacramentos, há cada hum delles da
anualmente dous moyos de trigo, dés mil reis, e o pé de altar.
9 Nada.
10 Tem hum so convento de frades treceyros de São Francisco nos
coutos desta villa, em pouca distancia della, para a parte do
Norte; foi edificado no anno de mil, quinhentos, e sincoenta, por
zelo de Dom Francisco de Farão, senhor, que era desta villa.
Não tem padroeyro ao prezente.
11 Tem caza de ospital; foi instihuida por zelo de algumas pessoas no anno de mil,
trezentos, e vinte como consta do primeyro comprimisso, o qual foi feito com
varias obrigacões, que havião. de observar os irmãos do mesmo ospital, que todas
se encaminhavão a obras de charidade, para com os pobres. Passados alguns annos
lhe deixarão alguns defuntos suas eranças, com pensão de algumas missas; depois
pedio Dom Fernando de Farão, senhor, que foi desta villa, provizão a Sua
Magestade, para que fosse provedor do dito ospital o Reytor dos Loyos da villa de
Arrayolos, o qual, e seus sucessores o forão alguns annos; depois vendo a Camara,
e Mizericordia, que já então havia nesta villa no anno de mil, quinhentos, e
setenta, e quatro, que o dito Reytor dos Loyos administrava, com pouco zelo os
bens do dito ospital impetrarão provizão de Sua Magestade para os bens do mesmo
se anezarem a Caza da Mizericordia, e com effeito no dito anno se fes a
anexassão

/p. 2080/ pelo Provedor da Comarca de Evora e Estremos, que entao hera o Doutor
Gonçallo de Almeyda, e de então a esta parte está a Mizericordia desta villa
administrando os bens do ditto ospital, que huns annos por outros renderão
duzentos, athe duzentos, e sincoenta mil reis.
12 Tem caza Caza [sic] da Mizericordia; a sua origem forão deichas de
algumas pessoas, que a dotarão; foi instituhida por zelo de Dom
Francisco de Farão no anno de mil, quinhentos, e sincoenta. As
suas rendas são ténues, importão de sincoenta, the secenta mil
reis.anexa a Mizericordia esta huma cappella, que instituhio
Jacinto de Faria Barreto, onde está sepultado, a qual dotou de
suas fazendas com pensão de missa quotodianna; rende a ditta
cappela huns annos por outros sento, e sincoenta, athe cento, e
setenta mil reis, as sobras, depois de pagas as missas por cento, e
vinte reis cada huma, são para os gastos da caza.
13 Tem nove ermidas todas fóra da villa. A do Gloriozo Apostolo São Pedro entre o
Sul, e Nacente, pouco distante desta villa; mais adiante hum quarto de legoa esta
situada a de Santa Comba. Para a parte do Nacente esta a de São João Baptista,
tãobem em pouca distancia da terra. Junto a villa, para o Norte está a do Gloriozo
Martir São Sebastião. Entre Norte, e Poente com alguma distancia está a do
insigne Portugues Santo Antonio. Na mesma direytura adiante tres quartos de
legoa está a de São Gens; digo está a do Martir Santo Castor. Para o Poente,
distante desta villa hum quarto de legoa esta a de São Gens. Para o Sul arimada a
villa esta a do Gloriozo Martir São Bras. Mais adiante para a mesma parte distante
meya legoa está a de Santa Anna. Distante desta villa para a parte do Sul está a
ermida de Santa Luzia, situada dentro da freguezia de Santa Justa; porèm a
administração pertence aos parochos da Matris desta villa. Todas estas ermidas
estão sugeitas ao Ordinario, excepto a de Santa Anna, situada na freguezia de
Santa Justa, que esta he administrada pellos religiozos treceyros de São Francisco
dos coutos desta villa; porque nella tiverão primeyro o seu convento, antes de se
fundar aquelle em


/p. 2081/em que de prezente assistem.
14 As ermidas aonde acode gente de romagem he a de Santa Luzia; não
tem dias certos, principalmente he no dia da santa, em que se faz
a sua festa, e pelo anno em diante conforme a devoção de cada
hum; e he tãobem a de Santa Comba, advogada contra as sezões,
sem dias determinados. Tãobem he milagroza a imagem de
Nossa Senhora da Encarnação sita na igreja Matris desta villa,
de que já se fes mensão no capitolo setimo das confrarias, e
irmandades a qual imagem he de vulto em madeyra; terá
dealtura sinco palmos, ornada com vestidos; he de cor algum
tanto morena; tem hum menino Jesuspegado ao peito esquerdo.
Há tradissão, que antiguamente estava despegado da mesma
imagem, e que da mesma tiravão algumas pessoas o menino,
levando para caza dos enfermos, para que lhe acudisse, e
remedeasse as suas infermidades, invocando a Senhora para este
fim. Em huma occazião mandandosse buscar o menino para
certa infermidade, se achou unido, e pegado ao peito da mesma
Senhora, sem que se descubra ligação, ou juntura alguma; antes
parece ser nacido do mesmo tronco, de que foi a Senhora
formada. Obra muitos milagres; acodem pessoas de romagem,
sem dias determinados. Quando fosse feita a dita imagem não
consta somente se lé do tombo da mesma, que foi feito no anno
de mil, quinhentos, e trinta, e dous, que já nesse tempo fazia
prodigios a mesma imagem, e que esta era do concelho desta
villa.
15 Os fructos, que os moradores desta terra colhem em mais abundancia,
são, pão, vinho, e azeite.
16 Tem dous Juizes Ordinarios, tres Vereadores, e hum Procurador do
Concelho; não estão sugeitos a justiças de outras terras, e os
feitos vão por agravo, ou appelação, para o Ouvidor da mesma,
que he aprezentação dos Condes desta villa.
17 Nada.
18 Os homens, que há noticia florecerão em virtudes foi o irmão Manoel de Jesus
Barreyros Donato, que foi das freyras do Calvario da cidade de Evora e dahi
passou para o serviço das freyras do Sardoal, aonde morreo com opinião de
santidade. Em

/p. 2082/ em letras florecerão o Doutor Pedro Calado de Araujo, e o Doutor Jacinto
Pimentel Arnaut, que ambos forão Dezembargadores dos Agravos na corte de
Lisboa; e o Doutor Pedro Telles da Silva, que foi Juis de Fora na villa de Villa
Viçoza, Juis do Sivel na Corte de Lisboa, Provedor na cidade de Beja, e na
cidade de Elvas. Em armas floreceo João Carreyro Fidalgo, que militou nas
guerras da Etiopia.
19 Tem feyra, principia no primeyro dia de Agosto, e acaba no treceyro
ao meyo dia, concedeo se franca e des ou doze se conservou
desta sorte, e haverá vinte, e sinco para vinte e seis annos se
paga portagem aos Condes desta villa.
20 Não tem correyo. Servem se os moradores deste povo do de
Arrayolos, que dista duas legoas, e do de Estremôs, que dista
tres.
21 Esta esta villa distante da cidade de Evora, capital deste Arcebispado
sinco legoas, e da de Lisboa, capital do reyno vinte legoas.
22 Não \ tem / esta villa mais privilegios, que os concedidos aos
donatarios della, que são fazer os Oficiaes de Justica, não entrar
nella correyção de Corregedor, e os que comummente se
concedem aos donata-rios; e couza digna de memoria, e antiga,
só há noticia, que no sitio, aonde está a ermida de Santa Comba
se acharão algumas pedras com inscripsões romanas, do tempo
das guerras dos romannos com Veriato; huma das quaes ainda
hoje se conserva na ermida de Santa Anna; as mais tem-se
demolido.
23 A villa tem junto a ella dous poços, dos quaes bebe a gente, e gados do povo, junto
a villa, para a parte do Norte está huma fonte chamada do – Cortiço – não tem
virtude especial as suas agoas. Na erdade de Claros Montes, entre o Norte, e
Poente esta huma fonte, que as suas agoas de Verão lansão fóra os olhos aos
peixes, que lhe deitão dentro delas, e de Inverno os concerva com olhos, de que se
tem feito experiencias varias vezes. Na erdade da Fonte Santa, distante meya
legoa, junto a ermida de Santa Comba está outra fonte tem virtude as suas agoas,
para curar da queixa de sarna, e algumas pessoas uzão della para a queixa

/p. 2083/ Queixa dos sezões. Não tem lagoa alguma.
24 Nada.
25 Nada.
26 Padeceo alguma limitada ruina, a qual logo se remedeou no mesmo
anno de mil, setecentos, e sincocoenta, e sinco, em que sucedeo
o terremoto.
27 Há no termo desta villa huma defeza chamada de Bardeyra; fica para, a parte do
Poente, distante da villa meya legoa, a qual he do concelho; está dividida em seis
folhas; cada hum ano se reparte cada huma das folhas em courellas para semearem
os moradores deste povo, sómente com a pensão de pagarem de cada huma
courella alqueyre, e meyo de senteyo. As pastagens da mesma defeza as comem os
gados do povo, e termo, sem pensão alguma. Algum tempo teve grande azinal, e
soveral, de que já não há vestigios; tem dentro varias fontes, terá de circulo duas
legoas, e meya; há nella varios sitios com diversos nomes hum se chama = a
Cabeça do Touro = outro = a Serra do Arvêllo =, sendo esta hum pequeno outeyro;
outro chamasse = a Cabeça da Lapa = As fontes, que tem esta defeza chamão-se
huma = a fonte da Talisca, outra – do Cortiço = outra = do Murtal = Não
temvirtude especial as suas agoas. Tem esta villa no seu termo outra defeza
chamada de = Val de Perna, = fica distante hum quarto de legoa, entre o Poente, e
Norte; a qual se dá tãobem em courellas aos moradores deste povo de sete em sete
annos, depois de se semearem a [sic] folhas da referida defeza de Bardeyra, não se
paga della pensão alguma : teve algum dia grande chaparral de sovaro que no anno
de mil, setecentos, e trinta, e oito o povo destrohio; agora por zelo dos donatarios
se vai criando novo chaparral; de que o povo terá grande utilidade.
Segunda Parte
Não há no termo desta villa alguma serra, de que se possa fazer expressa
mensão.

/p. 2084/ Treceyra parte
Tambem não há rio algum. Há porèm huma ribeyra, chamada de = Tera =,
corre do Nacente para o Norte, huma legoa desviada desta villa para a parte do
Nacente; a qual principia da [sic] serras de Montes Claros; o curso he natural;
não nace logo caudalozo, nem corre todo o anno; porque as suas agoas não são
nativas. Conserva sempre o mesmo nome, desde o seu nacimento, athe onde
morre, que he na Ribeyra de Bembelide em par da villa de Pavia. Tem de
comprimento sete, the oito legoas; nella há varios moinhos de asudes; tem
tres pontes de alvenaria; a primeyra fica junto a Evoramonte, na estrada, que vai
de Evora cidade, para a villa de Estremôs.a segunda, fica em par desta villa na
estrada, que vai della para a villa do Canno. A treceyra fica junto a villa de
Pavia na estrada, que vai da mesma, para a villa de Estremôs; os pexes, que
tem são pilões, bordallos, bogas, e pardelhas; as pescarias, que ordinariamente
se fazem nella são de redes, e canna.
Tem mais outra ribeyra, chamada = Torregella =, que corre do Sul para o Norte.
Nasce na freguezia de Santa Justa no sitio de Val de Pereyras, e quinta comenda,
e acaba na sobreditta Ribeyra de Tera; terá duas legoas de comprida; o seu curso
he arrebatado havendo cheas, e não principia logo caudaloza, mais vai se
aumentando com al

/p. 2085/ alguns regatos, que entrão nella. Nesta mesma ribeyra está huma grande repreza
a que chamão – Almofeyra, a qual he do Conde desta villa; serve para juntar
agoas de Inverno, e com ellas se moer pão no tempo do Verão; tem quatro
aferidos, e não tem mais moinhos. Os pexes, que tem esta ribeyra são pardelhas,
bogas, e bordallos. As pescarias são as mesmas; da Ribeyra de Tera.
Tem mais hum ribeyro chamado do = Freyxo = que principia pouco distante das
vinhas desta villa; corre do Sul para o Norte, terá de comprimento tres legoas, e
meya, pouco mais, ou menos; corre quazi sempre por penedia athe acabar na
Ribeyra de Tera, junto a Pavia; concerva sempre o mesmo nome, assim como o
concerva tãobem a sobredita Ribeyra da Torragella. Tem excelentes bordallos de
gosto, alguns pilões, muitas pardelhas, e grande quantidade de cagados. As
pescarias são ordinariamente as mesmas, que se fazem nas sobreditas ribeyras.
Estas são as couzas, que achei memoraveis nesta villa, e seu destricto, e por
verdade me assignei Vimieyro 23 de Mayo de 1758.

O vigario e parocho Francisco Nunes Vidal [assinatura autógrafa]

/p. 2086/ Vimieyro

 


 

Transcrição: David Ribeiro
Revisão: Teresa Fonseca

Actualizado em Terça, 24 Maio 2011 21:39  


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