Memórias Paroquiais

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Alcácer do Sal - Santa Susana

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Santa Susana, 1758, Abril, 27
Memória Paroquial da freguesia de Santa Susana, comarca de Setúbal
[ANTT, Memórias Paroquiais, Vol. 35, nº 243, pp. 1731 a 1734]

 

/p. 1731/

N. 243

Excelentissimo e Reverendissimo Senhor
Santa Suzana termo de Alcacer do Sal

Para satisfazer aos interrogatorios incluzos que com ordem de Vossa Excelencia
Reverendissima me forão entregues, procurei com aquelle ardente dezejo, que sempre
me assistio, e conservo de servir a Vossa Excelencia Reverendissima, que pessoas
antigas, e fidedignas me certeficassem do que manifesto na forma seguinte.

Fica esta freguezia em a provincia de Alentejo arcebispado de Evora, comarca de
Setuval, filial da matris de Alcacere do Sal; e he de Sua Magestade como mestre da
ordem militar de Santiago da Espada tem cem vizinhos e numero de pessoas seiscentas,
está situada esta aldea am serra não muito alta, e por serras circunvizinhos mais altas se
não descobre desta aldea povoação alguma; e está situada em meio quasi da freguezia,
de sorte que para todas as partes da mesma terá distancia de huma legoa maior, ou
menor he toda termo de Alcacere, excepto duas herdades, que supposto o curativo
parochial seja desta freguezia, contudo são do termo, e gouerno das Alcaçovas. Está a
parochia da parte de fora da aldeã, mas junta á mesma, e não tem mais lugares, ou
aldeas esta freguezia.

A jgreja he de huma só nave, séo orago he = Santa Suzana = tem tres altares: o primeiro
he do orago, o segundo de Nossa Senhora do Rozario, de que há jrmandade, o treceito
[sic] he das almas, que tambem tem jrmandade; o parocho he capellão curado, e da
aprezentação de El Rei, como mestre da ordem militar de Santiago, tem de renda, que
paga o mesmo senhor de seo real celleiro tres moios de trigo, noventa alqueres de
cevada para a cavalgadura, e des mil reis em dinheiro, e não tem beneficiado, ou
ajudador. Não tem convento, hospital, caza de mezericordia, ermida, ou romagens, os frutos, que
dão suas terras são trigo, cevada, centeo, mas trigo em maior abundancia; todo o
governo desta freguezia está sugeito ao governo de Alcacere, de que he termo, e de
Setuval comarca. Não he couto, cabeça de concelho, honra, ou behetria, nem ha
memoria que desta freguezia florecesse pessoa alguma em arma, letras, ou virtudes;
não tem feira, ou mercado, servese com o correo de Alcacere, e dista da cidade capital
do arcebispado, que he Evora, sette legoas, e de Lisboa doze, contando em estas as tres
do rio da Mouta para a mesma cidade de Lisboa; não tem privilegios alguns, nem
fontes, ou lagoas, que tenhão agoas de qualidades especiaes. Não he porto do mar, nem
tem muros, ou torres, nem padeceo ruina do terremoto de 1755. Nem acho couza digna
de memoria, que ex vi deste interrogatorio haja de discrever mais.

/p. 1732/ E ao segundo interrogatorio respondo que a serra não tem especial denominação; cada
parte della lhe dão o nome da herdade que a ocupa, e tem para Montemor o novo
extenção de quatro legoas, para o Torrão tres legoas, e para Alcacere huma legoa: não
há em toda a freguezia nascimento do rio, ou fonte de propriedade ou lugar algum, nem
minas de metaes, cantarias, ou outros quaesquer matereaes, ou ervas ou plantas de
virtude especial que se se haja de dar noticia. Toda a serra se cultiva; cortados, ou
roçados os matos de que se veste, e produs centeos, cevadas, e mais trigos, o seo
temperamento he calido, e ha em ella, criaçoes limitadas, mas de todo o genero de
gados e de muitos coelhos, lebres, perdizes, e alguns porcos bravos, não tem lagoa
fojos, ou couza mais alguma notavel em este interrogatorio que haja de fazer manifesto.

E em quanto ao 3. interrogatorio digo, que não nasce em toda freguezia rio algum, he
verdade que sim a cortão duas ribeiras ou rios, a que chamão Rio Mourinho, o outro
Ribeira de Dehege, que dizem trazer o seo nascimento da freguezia de Nossa Senhora
da Graça que fica alem de Evora e que nasce regato não caudalozo, e não corre de
Verão; e o Rio Mourinho nasce junto as covas dos monges de Montemor o novo,
tambem em seo nascimento de curso quieto, e depois que chegão a ser ribeiras grandes
são de curso arrebatado, correm ambos do nascente pera o poente; crião alguns peixes, e
os de maior entidade chamão e barbos: fazem em os mesmos rios seos vizinhos algumas
pescarias dos fins da Quaresma te Agosto, as quais pescarias são livres.

E como em o limite desta freguesia corrão estes rios por penhascos e rochedos em todo
elle não dechão margens que se possão cultivar nem se tem conhesido particularidade
alguma em suas agoas; nem ha memoria que tivesem outro nome estes rios; o Rio
Mourinho conserva o mesmo nome de seo nascimento te que morre: o Dehege dentro
de outras freguezias lhe dão outro nome, junto a Val Verde, ou convento dos capuchos
lhe chamão a Ribeira de Val Verde morrem estas duas ribeiras, ou rios em outra, a que
chamão Ribeira de Santa Catherina de Sitimos a qual se pode fazer navegavel the ao
Rio de Sadão, e de Alcasere, que são navegaveis, mas dificultuzissimamente se poderão
fazer navegaveis as duas ribeiras em o limite desta freguezia por respeito de seos
asperos rochedos, e nenhum tem põte, lagares de azeite, pizoes, noras ou outro algum
engenho em o limite desta freguezia, e só o Dehege hum moinho.

Não há noticia que em algum tempo, ou no presente se tirase, ou tire ouro de suas áreas.
Qualquer pessoa uza livremente de suas agoas. O Rio Mourinho tem de seo nascimento
te onde morre quatro legoas, e mea. O Rio Dehege nove legoas: ex vi dos
interrogatorios não ha nenhuma couza alguma notavel que em este agreste sitio
discreva: fico apetecendo emprego, em que possa mais servir, e agradar a Vossa
Excelencia Reverendíssima, como rogando a Deus conserve a vida, e saude a Vossa
Excelencia Reverendissimo para que se continue a grande felicidade que gosamos todos
em este arcebispado o vivermos tam contentes, favorecidos, e amparados debaxo da
protecção de Vossa Excelencia Reverendissima que Deus guarde muitos annos.

Santa Suzana 27. de Abril de 1758(1).

O Parocho Eusebio Gabriel Vieira de Mattos [assinatura autógrafa]

/p. 1734/ Freguesia de Santa Susana Termo de Alcácer do Sal


(1) O sublinhado da data é da época.


Transcrição: Fátima Pimenta
Revisão: Fernanda Olival

Actualizado em Terça, 24 Maio 2011 21:10  


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